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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O amor em tempos de corretor ortográfico



Não sei amar o amor de 2014.

Eu tenho muita criatividade, mas tem sido difícil reescrever textos e reformular frase para sumir com o afeto contido neles. Às vezes me escapa!

O querer bem tem que estar muito bem dissimulado no desejo... Que sim, existe... E existe forte como nunca foi, mas só existe porque antes há o querer bem.

Então, toda vez que eu quero dizer que ‘estou com saudade’, um corretor ortográfico apita e indica perigo.

Não... Em 2014 não há saudade! Substitua por ‘Estou com vontade de você’!

E se quero dizer que seu abraço me conforta e que gosto da maneira como você sorri, aquele mesmo corretor ortográfico dispara e tudo que eu posso dizer é algo sobre seus braços, seus lábios, seu corpo.

Não há mentira nenhuma quando falo dos braços, lábios e corpo, eles de fato me tiram de órbita... É que há muito mais que não é permitido dizer.

O afeto que no passado movia pra perto... Hoje afasta!

Sinto que se escapar da minha boca uma só palavra de carinho, de bem querer... Isso é praticamente uma ofensa... Uma ameaça e coloquei tudo a perder!

E se eu chorar sua ausência, tem que ser escondido... Reprimido... Ai de mim lhe deixar saber.

E quando você voltar, meu olá será sorrindo, descolado e minha declaração será algo engraçado porque se eu não for alegre e divertida, eu estou perdida!

E cada até breve encharca meu coração de medo... Até breve quando? Porque a verdade é que eu conto os minutos pra estar com você novamente e minha vida flui muito bem quando eu sei que dia é até breve. 

Sei esperar quando sei até quando...

Hoje, querer seu bom dia, seu boa noite ou ouvir sua voz numa ligação é praticamente uma infâmia... E se eu tiver vontade de lhe falar, eu tenho que me amarrar (o que de fato nem sempre funciona).

Eu queria ‘crescer’, me ‘atualizar’ e ter só o melhor de tudo isso... Mas para mim, o melhor de tudo isso é justamente você... E isso, em pleno 2014, eu não posso querer!

Estar apaixonada em 2014 faz de mim louca... Inconveniente... Persona non grata...

Então não estou.

Entendeu? Não estou!

E sigo medindo palavras e não medindo esforços para ser alguém sobre medida para você querer... Já que lhe quero sem medidas.




Nota:
Para esse texto, o corretor apitou tanto, tanto que me deixou surda, a ponto de não escutar meu pensamento... E sem pensamento, sou só sentimento.

Esse texto tem um pouco de mim, de uma grande amiga, de uma colega bem próxima... E provavelmente um pouco de você.

E para publicá-lo arrebentei o LED vermelho e destruí o apito sonoro com marteladas dadas com a ponta do meu salto mais alto... Aquele que subo toda vez que quero estar perfeita para encontrar alguém que não me apaixonaria! (Ou não ousaria admitir!)

Agora preciso consertá-lo... Se eu quiser ter a chance de vê-lo de novo ou simplesmente sobreviver a tudo isso... Em pleno 2014! 

E como aqui eu posso (e o LED ainda não está funcionando):

- Saudades de ti, menino... E já é tanta! Não vejo a hora de beijar você!

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Luz dos Olhos



O restaurante era em frente a uma das praias mais bonitas do local.

Havia sonhado com esse encontro diversas vezes, mas por razões diversas em momentos diversos, ele nunca acontecera.

Hoje, parecia ser enfim o grande dia.
Sentia que algo muito bom estava para acontecer...
Algo que mudaria sua vida para melhor!

Deixara a capital rumo ao litoral, já na quinta-feira, aproveitando o feriado prolongado.

Hospedara-se em uma pousada bem simpática, pé na areia, e tratou de relaxar, repensar sua vida com os pés na água salgada.

Depois de seis anos de idas e vindas e mais um inteiro de total ausência, estariam juntos finalmente, com a proposta de conversar, chegarem a uma definição... Um relacionamento de verdade, já que eram perfeitos juntos.

Conheceram-se no curso de MBA em Marketing e tornaram-se amigos.
Ele era noivo, ela namorava, mas tinham tanta coisa em comum, que pareciam predestinados...

Em casos como esses, de pessoas certas na hora errada, o tempo se encarrega de mostrar o caminho... Mas sete anos? Isabela não podia mais esperar.

Durante todo esse tempo, tentaram dar as mais diversas conotações para o que havia entre eles: Tantas vezes ‘sim’ e tantas vezes ‘não’, que o ‘talvez’ instalou-se sobre os dois.

Seguiram vidas paralelas... Na mesma direção, mas experimentando uma ausência que traria enfim, as respostas que precisavam.

Era noite de sábado, afinal.

Isabela parou seu carro no estacionamento de areia em frente o local marcado.
Olhou-se no espelho do retrovisor.
Retocou o lápis dos olhos.

Sentia um misto de esperança e ansiedade contidas pela ‘voz da experiência’.

Já na mesa, pediu uma caipirinha de Saquê com Kiwi e prometeu a si mesma que seria a única que beberia.

Alguns minutos depois ele chegou.

Fitaram-se imóveis por alguns instantes.

Ele caminhou até ela e beijou-lhe a testa.

Sentou-se e perguntou o que ela bebia.

Diante da resposta habitual, do drink habitual e do sorriso habitual, Ivan relaxou:

'Tudo estava em seu devido lugar’.

- Senti saudades.
- Sentiu? – A mulher segurou o impulso de dizer ‘eu também’.
- Você sabe que sim.
- Sei? – Ainda na defensiva.
- Adoro você, sempre adorei.

O silêncio permaneceu.

Ele pediu uma cerveja e o menu.

- Então... Como estão as coisas... Sem... Mim? – Perguntou um pouco sem graça, por não encontrar as palavras certas.
- Como sempre estiveram, Ivan, já que nunca houve ‘as coisas com você’ – Falou, mantendo a voz mansa, sem alterá-la em nenhum momento.
- Isa, não seja injusta, sei que o tempo que passamos juntos foi maravilhoso para nós dois e sei também que o tempo que demos foi bom para descobrirmos o que somos um para o outro...
- E?
- Você é muito importante para mim.

O garçom se aproximou.
Fizeram o pedido, sem rodeios, já que conheciam o gosto e o sabor um do outro.

Enquanto esperavam a chegada dos pratos, beliscavam as azeitonas do ‘couvert’.
Havia MPB ao vivo – voz e violão.
Conversavam amenidades quando Isabela percebeu que as cordas do violão introduziam uma canção que ela gostava tanto... Já havia comentado tantas vezes com Ivan que era sua preferida... “Luz dos Olhos”.

Pensou em fazer um comentário.
Na verdade, esperou por um comentário.
Viu que ele havia levantado a sobrancelha para dizer algo e sorriu na expectativa de ouvir o que diria...

O garçom chegou com o pedido.

- Nosso pedido. Rápido, não? É difícil ter restaurantes com um serviço tão bom no litoral.

Jantaram.
Falaram de tudo um pouco: Trabalho, amigos em comum...
Relembraram algumas viagens que fizeram juntos... Enquanto riam, Ivan tocou o rosto de Isabela e perguntou:

- Como foi que ficamos tanto tempo separados?

Ela segurou a respiração e sorriu. Retribuindo o carinho, tocou-lhe o rosto dizendo:

- Não sei Ivan, não sei... Nós somos tão bons juntos – baixou de vez suas defesas.

Beijaram-se.

Um misto de felicidade e ressentimento explodiu em um beijo lento e forte.

- Vamos tentar de novo – disse Ivan – Não me deixe fora da sua vida.

- Você sempre estará nela, Ivan, sempre.

Entre beijos o casal trocava juras.

- Desta vez, não cometeremos os mesmos erros... Daremos mais espaço um para o outro... Sei que você se arrepende dos erros que cometeu...

Isabela parou o beijo, selou os lábios e o afastou...
Olhou em seus olhos e disse:

- Ivan... Eu sou humana e cometo erros, nós...

Ivan interrompeu em euforia:

- Sim, comete... Se você não tivesse aberto a minha correspondência e visto tanta coisa que não faz parte de nós, estaríamos bem até hoje... Nunca te contei, porque aquilo não fazia parte de nós dois... Você não tinha que saber de nada disso... Estaríamos bem... Como sempre estivemos...

E já não ouvindo mais nada, Isabela lembrou-se da relação de restaurantes e motéis listados na fatura do Mastercard de Ivan, datados de dias que ele precisava ‘pensar,’ ‘ficar só’, de ‘espaço’...

'Ficar como sempre estivemos? Espaço? É essa a proposta após anos de espera e silêncio? Ele só pode estar louco' – Seus próprios pensamentos era tudo o que ela podia escutar.

- Ivan, vai embora. – Solicitou em voz firme, mas baixa.
- Isa?
- Vai embora, Ivan – Manteve o tom.
- Mas uma vez, Isa, você está sendo imatura e colocando essa coisa boa que a gente tem em risco.

'‘Coisa boa’? Ele não tem nem um nome para definir o temos... Cretino, arrogante, egoísta...' – Seus pensamentos iam e vinham em uma velocidade incontrolável.

- Vai embora.
- Vou. Vou te deixar pensar. Você está muito exaltada agora... Não está pensando direito e quando colocar sua cabeça em ordem, verá que tenho razão...

'Exaltada? Ele não imagina como eu luto para não demonstrar o tamanho de minha exaltação...'

- Vai embora – No mesmo tom frio, mas aumentando o tom de voz o suficiente para embaraçá-lo e fazê-lo temer um pedido ainda mais alto.

Ivan inclinou-se para beijá-la. Isabela recuou.

Ficou sentada por horas no restaurante, com seu copo cheio que nem chegou a tocar e a comida que não chegou a comer.

Seu olhar estava perdido no vazio e no silêncio profundo, quando o garçom a interrompe:

- Senhora, estamos encerrando por hoje... A senhora gostaria de mais alguma coisa ou podemos encerrar sua conta?

Isabela olhou ao redor, percebeu que os funcionários do local a fitavam, não havia mais ninguém no restaurante, apenas um casal na porta se despedia do chef de cozinha, elogiando o delicioso jantar e, próximo ao palco improvisado, o músico guardava seu violão e bebia um copo d’água, enturmando-se com os garçons.

Envergonhou-se e disse:

- A conta, por favor.
- Nosso maitre pediu para dizer que é por conta da casa, na expectativa que a senhora volte e desfrute de sua culinária quando sentir-se melhor.

Isabela insistiu algumas vezes, mas acabou cedendo.

Entrou em seu carro e antes de dar a partida, abriu espaço para um pranto doído, silencioso...
Não fossem as lágrimas, a veriam inerte, como se nada sentisse, como se não respirasse.

A mulher não pensava em nada, mas assustou-se quando bateram no vidro de seu carro.

Percebendo o susto, o rapaz tratou logo de explicar-se:

- Me desculpe se te assustei. Acredito que isso seja seu. Você esqueceu sobre a mesa.

Ainda zonza, Isabela que ainda não articulava bem as palavras, não tentou secar o rosto... Não se preocupou em parecer melhor do que se sentia:

- Desculpe-me, o que disse?
- Bem, meu nome é Saulo... Eu toco no restaurante sempre que estou por aqui... Acho que isso é seu... Do hotel onde deve estar hospedada...

Ela olhou para o chaveiro, uma concha de resina azul, com o número 28 gravado em dourado.

- Toca? No restaurante? Desculpe-me... É sim minha chave... Obrigada.
- Por nada. Você está se sentindo bem? Posso ajudar em alguma coisa?
- Estou... Estou bem, eu acho.

Ele sorriu ainda abaixado junto à janela do carro, afastou-se aos poucos e acenou dando as costas.

Isabela o viu afastar-se, com o violão nas costas, calça jeans, sandália de couro, camiseta de malha preta, cabelos compridos o suficiente para que o vento do litoral soprasse através dele...
Ele seguia em direção a uma moto estacionada bem o próximo a entrada do ‘Restaurante Kuará’.

Ela colocou a cabeça para fora da janela e gritou:

- Ei... Você disse que toca sempre aqui?

Ele voltou e abaixou-se próximo a janela:

- Sim... Sempre que estou por perto... Feriados prolongados, alta temporada... O pessoal costuma gostar... Cheguei a pensar que você tinha ficado até o final por que estava gostando do som... Para que pelo menos a música valesse a noite – Riu tímido, pela indiscrição que cometera.
- Desculpe-me... A noite não foi mesmo boa.
-São exatamente duas e sete. – Disse o músico, olhando seu relógio. – Você ainda pode ter uma boa noite...
- Não sei... Quem sabe uma boa noite de sono.
- Quem sabe.

Isabela procurou encerrar logo a conversa para que não caíssem naquele incômodo silêncio:

- Você tocou minha música preferida hoje, eu acho... Chamei você porque queria que você soubesse que seu trabalho faz diferença...
- Quando tudo parece ruim, ainda resta a música. – Ele sorriu.

Isabela sorriu de volta.

Palavras certas, na hora certa, o sorriso certo... E indiscutivelmente, o perfume certo...

Isabela vê o músico se afastando mais uma vez.

Uma bela imagem... Uma bela paisagem...

Ligou o carro, voltou para o hotel.

Entrou em seu chalé, preparou-se para o banho, ligou o chuveiro.
Escutou um barulho na varanda... Uma movimentação estranha.
Enrolou-se rápido na toalha e foi espiar através das treliças da porta de madeira em frente à sacada.

Viu um homem no jardim...
Ele parecia contar as janelas...
Ficou olhando para ver o que ele faria...
Preparando-se para ligar na recepção da pousada e pedir socorro se fosse necessário.
Percebeu que ele tinha algo nas costas, o que logo identificou ser um violão...
Era Saulo!

Ainda com as treliças fechadas e com voz sussurrada, perguntou:

- Saulo? É você?
- Opa! Você lembra meu nome!
- O que você está fazendo aqui?
- Tenho três perguntas que preciso fazer... Não gosto de deixar nada sem dizer... Não pude ir embora sem passar aqui...
- Estou entrando no banho agora... Eu só quero que essa noite acabe. Pode ir embora... Não se preocupe comigo... Sei que pareço perturbada, mas não tenho tendências suicidas.

Saulo sorriu, jogando a cabeça para traz.

- Imagino que não. Posso esperar na varanda?

Isabela não respondeu. Ao invés disso, abriu a porta e foi até a varanda.

- Costumo demorar no banho, não quero te deixar esperando... O que você quer?
- Seu nome... Você não me disse...
- Isabela – Disse sorrindo.

- Isa-bela... Faz sentido. – Ele sorriu de volta e continuou - Isabela, você disse que toquei sua música preferida... Posso saber qual é?
- Luz dos Olhos, do Nando Reis.
- Faz ainda mais sentido, Bela... Posso te chamar assim?
- Pode...

Ficaram em silêncio se olhando... Ela na varanda, ele no jardim.

- Ah! Terceira pergunta... Quase esqueci... Posso te ajudar em alguma coisa?
- Você já me fez essa pergunta hoje...
- E você não respondeu.

Isabela sorriu um sorriso largo, relaxou os ombros:

- Não jantei... Estou com fome...
- Tenho uma maçã, ela está na minha bolsa desde manhã e uma garrafa de vinho que peguei no restaurante quando decidi que vinha para cá... Está gelado... O que você acha? – Perguntou o músico mostrando a garrafa.
- Sobe... Vou abrir a porta.
- Não precisa, se você disser que sim, eu pulo pela varanda mesmo.
- Sim.
- Então diga...
- O que? – Disse a mulher, confusa.
- ‘Diga que você me quer’.

Isabela completou a estrofe de sua música preferida:

- ‘Que eu te quero também’.

Saulo pulou para dentro da sacada, abraçando Isabela pela cintura.
Beijou seu pescoço, seu colo, sua boca.
Deitou-a sobre a cama, em frente à sacada e desatou o nó da toalha.
Contemplou por alguns instantes o corpo da mulher e mergulhou nele... Um mergulho lento, profundo e voraz.

Sentiu seu gosto e assistiu seu êxtase... Como quem assiste o mais belo nascer do sol do litoral.

Despiu-se com a ajuda de Bela...
Encostou-a na parede, segurou seus seios, mordeu suas costas...
Puxou-a contra si e ali, daquele jeito, compartilharam um prazer intenso e sem culpas.

Não tocaram na maçã, mas beberam todo o vinho.

Não falaram nada sobre o que havia acontecido no restaurante: Ele não queria saber. Ela não queria falar.
Conversaram um pouco sobre o que faziam, do que gostavam...

- Canta para mim... A música – Pediu Isabela com um entusiasmo quase infantil... A vontade em ser ela mesma.
- Agora?
- Agora...
- Tudo bem... Mas não vou conseguir terminar.
- Por que?
- Acredita em mim...

Saulo levantou-se, pegou o violão e o batom de Bela, que avistou sobre o criado mudo.

Cantou para ela sentado sobre os travesseiros no chão.

Ela o assistia em encantamento... Sentada na cama, com o lençol puxado para si, num gesto de infundada timidez.

A voz melódica de Saulo preenchia o ambiente:

“Pinta os lábios para escrever a sua boca em minha”.

Nesse momento, ele largou o violão, ajoelhou-se aos pés da cama e pintou com batom a boca de Isabela:

- Escreve...
- Onde? – Bela perguntou.
- Vem sem medo... Onde você quiser...

E conforme as previsões de Saulo, ele não terminou a canção.

Assistiram o sol nascer da sacada do chalé, tomaram café juntos e dormiram, exaustos, na praia.

Almoçaram no mesmo restaurante do dia anterior: O chef merecia ser prestigiado afinal.

Despediram-se, trocaram telefones, e-mails, beijos e um longo abraço.

Ele ligou já no domingo à noite.
Queria saber se ela havia chegado bem.

Na quinta seguinte, ela foi vê-lo tocar em um Bar em Moema, com algumas amigas.

No sábado seguinte, ele saiu à uma hora da manhã do trabalho, um restaurante nas proximidades da Paulista e encontrou-se com ela em um barzinho próximo a Perdizes, onde ela mora.

Saulo chegou lá com o restante da banda.

Apresentou-a:

- Banda, esta é a Isabela... Minha Bela, se ela quiser e enquanto ela quiser...

Ela quis.
Quis ser Bela de Saulo.
Ela quis ser sua namorada.
Quis a intimidade repentina, a velocidade dos acontecimentos.
Ela quis o querer de Saulo...
A proximidade, o curto espaço que precisavam entre os dois para manter a saúde da relação que tinham...
Gostavam de estar perto...
Era natural ligar para apenas escutar a voz, rapidinho, entre uma reunião e outra...
Entre uma canção e outra...

Luz dos olhos de Saulo.
Luz nos olhos de Isabela.




NOTA:  
Luz dos Olhos é uma canção de Nando Reis. É linda... Uma preferência pessoal mesmo...

A Cassia Eller regravou a música... Adoro Cassia Eller, mas o Nando Reis canta essa música como eu gosto de escutá-la...

E eu acho que é isso...
Que eu quero isso...
Algo assim...
Em que querer estar perto seja algo natural...

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Mente pra mim

"Se eu pudesse, seria mais sensata; mas uma força nova arrasta-me contra a minha vontade, e o desejo atrai-me a uma direção, e a razão, a outra: vejo e aprovo o melhor, mas sigo o pior" -
Ovidio em Metamorfoses



Mente para mim...
Mente até eu não acreditar em nenhuma outra verdade que não a sua.

Mente para mim...
Mente sobre o que há de mais profundo e dá sentido à minha existência.

Mente e me convence que a história de amor que espero desde sempre não está condenada ao nunca.

Mente assim... Quase inocente... Para que eu sinta que chegou a hora: A vida real ganha finalmente a forma que vai além das formalidades.

Mente de verdade.

Mente com os olhos, com os braços, com as pernas.

Mente a saudade, mente sua vontade e o espaço que ocupo em sua vida: A própria vida.

Engana minha razão, minha experiência e meu bom senso – eles me protegem de mim mesma e ameaçam a única chance que eu tenho de acreditar.

Em uma parceria piedosa em que justificaremos os meios com o fim: 
Engana-me;
Engano-me;
Enganemos a mim.

Engana-me sem brevidade... Todos os dias, ao menos os meus.

Enfim, acredita.
Acredita na sua mentira e vive ela para mim: Seu pulso e respiração sobre minha pele ...

Mente que me ama de verdade... E não desmente... Sente!



Nota:
Poema de 2010 (Reeditado) ... Desesperadamente... MENTE!

De resto, gente... Estou em falta com o blog...
Não tenho conseguido ordenar meus pensamentos em frases.
Não tenho conseguido encontrar sentido nos meus pensamentos...
Eu sou só querer... Um querer irracional...
Talvez eu tenha de fato que tentar uma religião como o Budismo... algo que me faça internalizar o conceito de 'não permanência'... do 'desapego'...
Mas tudo isso me parece impossível nesse momento...
Nada faz sentido... Nem o que eu sinto.
Não escuto os conselhos que peço.
Não acredito nas conclusões que chego.
Por enquanto eu só consigo me agarrar a momentos, sentimentos, sensações, sonhos...

Eu quero tanto da vida...


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Fundações

Vou começar pela nota hoje!!!

NOTA:

Escrevi em 2004 mas na época compartilhei com duas ou três pessoas.
Em 2008 reeditei, inscrevi em um concurso de contos e ganhei!!!! Olha só!!!!
É um conto gostoso... Para sorrir e sonhar!
Então lá vai... "Fundações"!


 

Clara, 35 anos, engenheira. Consultora na área de construção civil.

Sua grande paixão eram as fundações. Acompanhava com carinho, cada tok,  tok das estacas sendo fincadas no chão.

Era um novo desafio, uma nova empresa. Abandonara as sobrepostas e casas luxuosas e atirara-se em um novo segmento: shoppings e centros empresariais.

Firmesa, estrututra, estabilidade. Bases bem feitas garantem o equilíbrio de todas as outras coisas. 'É assim em tudo!' - Pensava com simplicidade e paixão.

Achava que arcos, janelas e desníveis, eram coisas para arquitetos. O importante eram as fundações.

Tok, tok, tok, está nascendo mais um lindo gigante de concreto!

Ednaldo, 34 anos, mestre de obras. Neto de pedreiro, filho de pedreiro. Sua família tinha tanta tradição na área da Construção civil que a empreiteira orgulhava-se em ter empregado as três gerações de funcionários dedicados, minuciosos, experts em sua área.

Ednaldo era tão esperto que os engenheiros escutavam seus palpites com consideração e respeito.

 
-'Seu Marcos, eu sei que o senhor é doutor e com certeza sabe muito da sua função, mas o senhor permite que eu diga “o meu ver”? ... Então, acho mesmo que ‘cês tão perdendo dinheiro nessas fundações. Tem mais de "fundura" e concreto aqui que tinha no "uord treide center". Por exemplo, com dois terços do material e por sua vez com pouco mais que a metade do tempo já levantei prédios de 20 andares'.

Marcos chamou a consultora para ouvir Ednaldo.

Clara fitava Ednaldo enquanto ele falava. Queria mesmo olhá-lo de cima, mas não pôde. O moço tinha, por baixo, um metro e noventa. Queria não notá-lo em sua insignificância e suas teorias sem nenhum embasamento técnico, mas ele gesticulava como louco com seus braços pesados como seu corpo desenhado com músculos sufocados no uniforme justo e suado.

- Seu nome?


- Ednaldo.


- Você é...?

- “Sô” mestre...

- Mestre de ...?

- De obras. Como meu pai e meu avô, se a senhora quer saber – Irritando-se com os questionamentos, na verdade um organograma, para colocá-lo em seu lugar.

- Não, não quero. Escuta Ed...ed...

- ...naldo. Meu nome é Ednaldo.


Clara argumentou impaciente sobre seus cálculos, usando todos os jargões possíveis para calar o rapaz e fazê-lo sentir-se o mais desconfortável possível. Até que, percebendo a situação, na tentativa de acalmar os ânimos, Marcos sugeriu que fossem almoçar.

No refeitório, Marcos, que precisou se ausentar, deixou a engenheira, Ednaldo e um inevitável silêncio no refeitório quase vazio. Já eram duas da tarde.

Clara, observava Ednaldo que esparramava a alface para comer o bife quase frio com 'garfadas que pareciam não cortar o bife, mas matar o boi'. Ela riu da comparação idiota.

Ednaldo levantou a cabeça.

- Rindo para mim?

- De você.

- Você fica bonita sorrindo. Devia fazer isso mais vezes.


Clara emudeceu e depois indignou-se.


- Como, se lido com gente irritante todo o tempo?

- Eu também. Irritante e de nariz em pé...


Ednaldo ficou em silêncio por alguns segundos e disparou:


- Mas sabe... Eu acho que você se defende... No fundo é assustada... Se porta como homem porque ser mulher te dá medo – e com um sorriso sarcástico finalizou - Se eu te pegasse, você ia gostar... porque o que eu faço, nenhum desses doutores que você trata com respeito sabe fazer.

Clara levantou-se, muda. Não disse uma palavra.

Passou o dia quieta.

No final do dia, como sempre, Ednaldo foi o último a largar o serviço. Eram quase oito da noite. Clara viu quando o peão tirou o capacete e se dirigiu ao vestiário. Apressou-se em alcançá-lo. Entrou no momento em que ele abria a camisa do uniforme.


Ela parecia ter a respiração suspensa, seu rosto estava tenso, seu maxiliar travado, mas seus olhos tinham um brilho estranho, como se algo queimasse lá dentro.


Ednaldo sorriu.


- Como é mesmo seu nome?

- Ednaldo, mas todo mundo me chama de Naldo.

- Ed. Eu quero te chamar de Ed.

Ednaldo segurou-a pelos braços e jogou-a sobre o banco de madeira. Com a habilidade de um profissional tocou todo seu corpo sem que uma peça de roupa fosse realmente tirada.

Enquanto ela enlouquecia, Ednaldo emaranhava os cabelos de Clara em seus dedos e cheirava seu pescoço como se estivesse preste a devorá-lo.


Quando Ednaldo desabotou sua calça e abaixou-se para arrancar a pesada bota de borracha, Clara disse ofegante:


- Não, não tira. Fica de uniforme.

Ednaldo riu um meio sorriso, cerrou os olhos.

Despiu Clara e fundiu seu corpo moreno e seu uniforme sujo na pele branca e perfumada da mulher.


- Cheiro de princesa.


Clara perdeu o ar.

E o shopping foi construído assim, longos dias de muito trabalho, olhares provocantes, comentários cínicos e longas noites nos vestiários, nos refeitórios vazios, nas lages e nas mesas do escritório.

Panorama Shopping foi inaugurado.

Na noite seguinte Clara convidou Ed para jantar na casa dela. Estaria sozinha.

Ednaldo chegou às nove. Calça jeans claro, camisa de botão azul, sapato preto, perfume.

Clara passou todo o jantar muda. No final da noite disse que não deveriam ter ido tão longe. O caso encerraria naquele momento.

Ednaldo saiu. Bateu a porta. Chutou a porta do elevador.

Voltou mais tarde, tocou o interfone. Disse que entendia. Trouxe um presente, algo para ela guardar de recordação, afinal, foram bons momentos.

Era o uniforme, óculos, capacete e botas.

Ednaldo não foi embora aquela noite.

Voltou muitas outras.

Não se cansam de discutir a profundidade adequada das fundações.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Só que não


Hoje, logo cedo , recebi uma mensagem de uma amiga.
 
Elas estava arrasada pelo final de seu... ‘relacionamento’ ou ‘caso’ - Sei lá, hoje em dia é difícil ‘dar nome aos bois’.

Uma história parecida com tantas outras... Um passeio de montanha Russa!
Primeiro aquela subidinha deliciosa e assustadora cheia de presença e atenções...
Depois aquele ponto que o carrinho para lá no alto e você não tem outra coisa a fazer , a não ser levantar os braços e cair...Se jogar!
Aí os loppings, as curvas, sua vida de cabeça pra baixo...
E finalmente... A desaceleração até o fim.
Já acabou?
É... Todo mundo já passou por isso... É recorrente.

Pensei em escrever um pouco sobre a mentira.
É um assunto fascinante... Mas é muito complexo ... Tem muitas ramificações... E eu não sei ao certo como me posicionar em relação a ela...
Não sei dizer se ela é sempre ruim...
Existe aquela expressão “Só a verdade liberta”...
Ok... Pode ser... Ela liberta da mentira... E o que fazemos com todo o resto? E se a mentira é a melhor coisa que temos?
A troco de que vou declarar uma verdade cruel se não existe a verdade absoluta?
Por exemplo... Chegar para alguém e dizer que ela não tem talento para o canto... Isso é verdade ou a minha opinião? O fato de eu realmente acreditar no que estou dizendo faz da minha declaração uma verdade? A verdade é circunstancial?
Não sei. Não sei. Não sei.
Uma vez escutei, ou li em algum lugar, que mentimos quando esgotamos nosso estoque de verdades... Nossa... Faz sentido! Conheço pessoas que desistiram de tentar falar como se sentiam e optaram por mentir. (Eu... Em diversas ocasiões).
Quem pode culpá-las? Quem pode culpar-me?
Tenho uma outra amiga que consternada se perguntava:

‘Por que ele disse que me adorava, que eu era especial?’.
Ela alegava que ele não precisava de um artifício tão baixo para levá-la para cama:

‘Era só ter me dito que ele me achava incrivelmente gostosa e que sonhava com o dia em que ele passaria horas sentindo o gosto de cada milímetro do meu corpo... Pronto, eu dava!’.
Será?
A declaração direta do exemplo acima é realmente ótima... Muito bem elaborada, mas seria o suficiente?
‘Corpo’, ‘horas’, ‘gosto’... Nós mulheres gostamos também... Mais (muito mais) do que nos atribuem o gosto pelo sexo. Existe para nós a atração física, o desejo de ‘dar’ porque o corpo convida e mais nada...
Mas será que nos permitimos?
Não sei. Tenho dúvidas!
Mas se escutarmos que somos especiais... Pesamos que podemos ter encontrado alguém que nos aprecie de corpo e alma... E assim sendo, alguém especial... E que poderíamos ter algo especial, para transformar uma vida ordinária em uma vida especial... E de repente estamos considerando a possibilidade de aquela pessoa, com aquela mentira deslavada, ser de fato ‘o enviado’... O homem de nossas vidas... E, finalmente, nesse caso, tudo bem ‘dar’ para ele.
Que coisa burra!!! Seria tão mais fácil se aprendêssemos a lidar com nossos desejos de forma isolada de nossos sentimentos...
Não precisamos forçar nossa própria barra e inventar sentimentos em torno de alguém que apreciamos pelo sexo, e só...
É como se escolhêssemos estar na posição de vítima só para não arcar com as conseqüências de nossos atos: “Poxa, pensei que ele me amava... Fui usada...”.
Nãaaaaaaaaaaao!!! Mil vezes não!!!!!!!!!!!!!!!
Como assim, foi usada?
Deu porque quis! E foi legal... E se for só isso, beleza porque pode perfeitamente ter sido só isso para você também!!!
Eu sei que tudo isso têm um peso histórico... Sei lá, talvez até biológico... Mas não somos animais, temos inteligência, raciocínio lógico (na maioria das vezes) e não precisamos nos posicionar sempre como uma das fêmeas do macho...
O que nos move não é o cio, mas o desejo... Nosso sexo não é meramente reprodutor é fonte de prazer...
Seria uma solução, talvez, combinar antes... o cara poderia perguntar como naqueles passeios de jipe pelas Dunas de Genipabu:‘Você quer com emoção ou sem emoção?’ 
...Ou poderíamos colocar na cabeça de uma vez que nem toda emoção é amor!



NOTA:

Só que não!
As redes sociais da internet estão cheias dessa expressão “só que não” ou abreviando “SQN”... Acho engraçado!
Pra quem nunca viu, é uma maneira de contradizer aquilo que você acabou de dizer!
Por exemplo: “Amei o filme Cosmopolis, só que não” ou “Estou me sentindo ótima - #SQN”


Mais ou menos isso!
Escolhi o 'Só que não' como título justamente pela contradição.
As idéias que expus acima são ótimas (acho mesmo)...

Eu penso exatamente assim... Só que não sinto assim!

Mas eu gostaria... E apoio quem sabe ser mulher sem ‘mi mi mi’.
Eu sou mulher com 'mi mi mi'
Tenho pensamentos sensatos derrubados pela intensidade das minhas emoções!

Amo o amor, amo o romance e grandes histórias...

Fico brava... Arrasada...

Não aceito quando a vida me vem com tickets apenas para um passeio de Montanha Russa...
Eu quero o parque de diversões inteiro!
Quero a Disney e o Castelo da Cinderela!


 
Sobre o ticket da Montanha Russa? - Bom, eu pego!
Sempre acho que no meio do passeio, vou conseguir 'burlar as regras' e andar também de carrossel e roda gigante!

É... desejem-me boa sorte! Vou precisar!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O mundo é redondo... E roda


Because
Porque

Because the world is round it turns me on
Porque o mundo é redondo, fico animado

Because the world is round...
Porque o mundo é redondo...

Because the wind is high it blows my mind

Porque o vento é forte, ele assopra a minha mente

Because the wind is high...
Porque o vento é forte...
 
Love is old, love is new
O amor é velho, o amor é novo

Love is all, love is you

O amor é tudo, o amor é você



 
Talvez essa música não diga nada a algumas pessoas... Mas sempre que eu penso em como as coisas acontecem eu lembro da frase “Because the world is round...”

Sabe, precisamos sempre atribuir significados, encontrar explicações para os acontecimentos em nossas vidas, que nos parece, no auge do caos, um trem descarrilado, sem ninguém no comando...

De acordo com a Psicologia, tudo que nos acontece, que não conseguimos elaborar e atribuir um significado, vira trauma...

Interessante, não? Eu acho.

Saindo da teoria...
Queremos sempre explicações na hora... Na nossa hora e no nosso tempo e o universo não está nem aí para as nossas urgências...

Mandamos várias solicitações para o ‘cosmos’ e, às vezes (muitas vezes), as respostas chegam com um certo ‘delay’ (atraso).

Transferindo isso para as inúmeras falências emocionais que ‘abrimos’ em nossas vidas: Quantas vezes sofremos e quase morremos por elas? Quantas viram traumas?

‘Por que ele não ligou?’
‘Por que ele não me ama?’
‘Por que ele não assume nosso relacionamento?’
‘Por que ela e não eu?’
‘Por que? Por que? Por que?’

Tudo se esclarece SEMPRE, em algum momento, quando menos esperamos (o difícil é 'menos esperar'!)...

Por exemplo: Passei muitos anos ensaiando como seria olhar para a cara ‘daquele moço’ (tem sempre aquele moço!)... Com toda a mágoa e saudade de uma história que se desfez...
Ensaiei o que eu diria e providenciei vários sorrisos ‘fakes’ (fingidos) caso a emoção quisesse derrubar os muros que construí.
Esperei anos pelo encontro... Pelo dia em que nos 'esbarraríamos'...

Muito tempo depois aconteceu, mas nada daquilo fazia mais sentido...


Eu não recitei meu texto...

Não fingi meu sorriso...

Um abraço surpreso substituiu todo meu esquete...

Lá se foi minha performance!

O tempo desconfigura a vingança, a revanche... Porque em algum momento deixamos de precisar dela!

E a vida segue mais leve, porque você deixa ali o peso que carregou por tanto tempo... Como quem carrega o cenário, as feras e as piadas de um circo... Um espetáculo itinerante... Pronto para acontecer, quando chegasse o momento!

Há ainda muitos assuntos mal resolvidos para mim... Não estou aqui para dizer o quanto evoluí com esse aprendizado...

Aprendi, mas sou mais humana do que sábia!

Tenho vários ‘textos’ que carrego comigo na esperança de discorrer sobre algumas dores (uma ou duas lancinantes)... E queria gritar agora, com todo meu pulmão:


Quero respostas!

Um pedido de perdão, para que eu possa negar!

Ou qualquer coisa que dê sentido pra tudo isso que eu não consigo explicar!
 

 



NOTA:

O texto é de 2009... Continuo querendo as respostas... Só que, olha que bacana, há uma diferença: '
Aquelas' dores lancinantes as quais eu me referia não existem mais! - Resolvi ambas em 2013!

Uma delas sem texto, nem desfecho... Apenas um ‘deixa estar’... Não dói mais.

A outra, com um texto previsível, em um final que não teve nem força de se dar com a verdade...

Mas foi um final tão esperado (e de alguma forma desejado) que começou como uma ventania forte e rápida e logo se tornou uma leve brisa... Também não dói mais.

Se não existe mais dor? Existe...

Uma bem agora me apertando o peito...


Mas hoje, exatamente hoje,existe algo maior que as dores...

Existe uma ansiedade e uma vontade enorme de que as coisas que tanto espero aconteçam...

Hoje, exatamente hoje, estou feliz e cheia de esperança de dias melhores...

Hoje, exatamente hoje de manhã estou em paz.  De tarde não sei... Amanhã não sei.   
 
 
* Because foi escrita por John Lennon (creditada à Lennon/McCartney) e faz parte do lado B do album Abbey Road dos Beatles.