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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Carta Devolvida ao Remetente


Se tu não sabes, eu te amei.
Um amor doído e cheio de impossibilidades
Um amor maculado e de meias verdades
Um amor cheio de sonhos
Camuflado no desejo e na vontade...

Um amor menor que o meu querer...

Porque, Deus, como eu te quis!

Te quis tanto que atropelei o que eu sentia...

Tu precisavas ser real para mim...
Eu precisava ter na pele vestígios de ti...
Porque um sonho era pouco...
Um sonho era nada.

Escondi minha alma em meu corpo e te dei.

Contemplo as cicatrizes, sagradas consagrações...
Registros de que tu vieste,
Como anunciaram os ventos, tu vieste...
E me marcaste para sempre.

E é assim que quero ficar...
Marcada pela queda ao atirar-me em teus braços
Liberta pelo vôo de acreditar que vieste para ficar...

Sussurram teu nome em meu ouvido
E nos encontramos para que eu pudesse gritá-lo tantas vezes
Eu me contorcesse de dor e prazer
Nas infinitas horas que foste real

Machuca o teu silêncio
Machuca esse tormento
Mata essa saudade do que não foi
Enquanto justifica a vida
A possibilidade de amar
Desmedidamente amar.

Mostraram-me teu rosto
Lançaram-me teu perfume:
Tu virias,
Tu vieste,
Tu foste.

Anunciaram-me tua chegada...
Sonegaram-me a notícia da tua breve estada...
Negaram-me a informação da tua partida!

Foste...

Fingi que não era nada...
Fingi que a dor não me vitimava
Fingi que seguiria sem você aqui.

Foste...

E meu corpo espera gelado
Que tragas minh’alma de volta.

Se tu não sabes...
Não sabes.
Não saberá.




NOTA:
Esse poema é de Março de 2009...
Tratamento para uma dor que demorou tanto a passar.
Passou!
Não dói mas está marcado...
Como uma cirurgia... Uma cicatriz.


Engraçado é ver que o tempo me tirou um pouco a juventude, um pouco a inocência, um pouco o destemor... Tudo um pouco.
Mas não tirou nada da capacidade de amar... Continuo amando assim.
E sinceramente não sei se sorte a minha... Ou azar o meu.
Vivo dissimulando e reprimindo a minha vontade de declarar, de desejar porque ela não é considerada adequada... Por auto-preservação... Ou simplesmente para não perder um cara assustado diante de tanto querer... Estou exausta.

E o objeto desse amor??? Sinceramente não sei se é sorte a dele ou azar o dele...
Interessa tanta coisa assim? Se dá pra viver com menos... Porque alguém ia querer tudo isso? Por outro lado... Porque alguém ia querer viver com menos?

É... acho que é azar o nosso!

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