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sexta-feira, 14 de março de 2014

'O que ele não disse' ou 'A importância de pontuar'


ELE NÃO DISSE...
Há tanto tempo, que acho que posso lhe contar.
Há tanta distância, que acho que já posso lhe mostrar.
Você mulher me querer assim é lisonjeio, vaidade que desperta voracidade... Fome de conquista.
Me perdi algumas vezes...
Desconfiava...
Predador, por vezes presa... Oscilei tanto que me assustei, recuei, me joguei e lhe quis ainda mais...
E lhe tive, a despeito de toda a realidade, dos fatos que se sobrepunham como tijolos em um muro, em uma barreira que você insistia em ignorar...

Você,
De desejo de mulher, passou a amor de menina.
De fantasia e carne, você quis sonho e promessa...
Você rompeu o acordo que não firmamos.
Arruinou o que era prazer, vão, pele, tesão e transformou tudo em inocência e dor...
Sofreu profundamente...
Para sentir-se perdoada, legitimou o ilegítimo.

Louca, insana, instável, inconstante...

Confusa, confuso... Confusão.

Retiro minha vida da sua... Ignoro sua vida na minha...

Há tanta coisa que não entendo... Que paro por aqui, antes de ler você por inteiro.. Antes de chegar àquele momento da trama que a gente se percebe não mais leitor, mas um personagem que cresceu involuntariamente nessa história que demanda muito de mim...
Mais do que quero lhe dar.

Você não sabe o que quer.
Eu sei o que não quero.

Nada é proposital.
Tudo é acidental.
E sejamos francos... Essa responsabilidade transcende a mim ou a você.

Por isso, para mim é fácil seguir...
Recomendo que faça o mesmo.


 

 
MAS...
Ele não partiu. Se retirou mas ficou.
Ela permaneceu onde sempre esteve...
O que mudou foi a geografia...
O espaço que tinham ruiu... Erosão... Corrosão...
Onde houve dois, não há nada...
Um grande deserto...
Uma imensidão seca e vazia.


 
 
PONTO FINAL
O mais importante nisso tudo é o PONTO FINAL...
As pessoas precisam aprender usar pontuação...
Se abrir parênteses, feche...
Se iniciar parágrafo, finalize... E indique, esclareça que o seu parágrafo terminou com o maldito PONTO FINAL.
Eu, por minha vez, complico tudo, com esse meu vício de substituir a pontuação adequada por reticências... Três pontinhos...
A pontuação que uso não obedece às normas gramaticais, mas à velocidade e às pausa dos meus pensamentos.
Azar o meu!





NOTA:
Acho que esse texto é de 2009 ou 2008, não sei... É que tem tanto de 2014, que às vezes me sinto andando em círculos!!!
Me esforço pra seguir achando que está tudo bem... E quando faço isso lembro de uma cena da peça B, Encontros com Caio Fernando Abreu... Baseado no conto "Os Sapatinhos Vermelhos", com a melhor atriz que conheço e com quem minha alma dialóga: Minha irmã Gisele.
Minha memória sempre resgata essa cena...
O momento em que ela 'Adelina' se levanta e segue em frente: - "Está tudo bem".

Quem assistiu sabe do que estou falando...
É... Comigo também... Apesar de tudo e exatamente por tudo... "está tudo bem".


* A imagem que ilustra esse 'post' é da cena acima mencionada.
  

3 comentários:

Daniela disse...

Os Sapatinhos Vermelhos de Caio Fernando Abreu:
http://semamorsoaloucura.blogspot.com.br/2006/08/os-sapatinhos-vermelhos.html

Livia disse...

Adorei a frase: " Você não sabe o que quer. Eu sei o que não quero". Não sei porque, mas no meu inconsciente devo saber. Cada vez adoro mais seus textos. E parabéns a sua irmã, ainda lembro dela pequena quando íamos na sua casa. Bjos

Daniela disse...

Viva!!!! Até com a dor consigo alegrias!!!!
Fico mega feliz que goste dos meus textos!!!
Bjs no coração!!!!