Hoje, com trinta e cinco anos, sabia que estava pronta para voltar. Contava os dias para o seu desaniversário... Em agosto faria trinta e quatro.
Mas ansiava mesmo por seus trinta anos novamente, a partir desse marco, ela estaria pronta para olhar atentamente aos detalhes que deixara passar na primeira vez.
Com trinta anos, percebeu que sua vida não era bem como havia imaginado que seria, mas considerou que poderia lidar com isso, afinal... Não era um sonho... Era vida real!
Aos trinta e um, bradou aos quatro cantos seu direito de ser outra ou deixar de ser outra e finalmente ser ela... Mas as circunstâncias abafaram gradativamente seu grito até que ela não pudesse mais se escutar... E acostumando-se com isso, decidiu ser muda.
Aos trinta e dois anos, condicionada ao silêncio, qualquer ruído agredia seus ouvidos, como fisgadas insuportáveis de verdade, foi quando percebeu que seria muito confortável se além de muda, fosse surda.
Aos trinta e três, não falava nada que não pudesse ser dito, não escutava nada que parecesse ruim, mas seus olhos ainda enxergavam... E em seu reflexo no espelho encontrou traços de alguém que conhecera muito bem... E isso acelerava seu coração, causando inquietação, lágrima, questionamento... Pensou que 'nem tudo é o que parece ser' e, para proteger-se de seus olhos, fez-se cega.
Aos trinta e quatro, mesmo cega, surda e muda, notou o movimento de suas pernas. Ela podia andar e sabia que encontraria o caminho, porque não era preciso vê-lo, o conhecia porque o traçara tantas vezes em seus planos...
Guardava os esboços desse mapa no coração... E para conter o impulso de correr, quebrou suas pernas... As duas, de uma só vez.
Aos trinta e cinco, imóvel, não via nada, não dizia nada, não escutava nada...
Mas a lembrança e a aquela saudade de 'não sei o quê' ardia em sua pele e a não ser que ela a arrancasse com suas próprias unhas, ela sentiria sempre sua omissão diante da sua própria vida...
A pior traição é a de si mesma...
O pior abandono é o de si mesma...
A única ausência insuportável é a de si mesma.
Decidiu voltar...
35,
34,
33,
32,
31...
... Até recuperar seus sentidos... E sentir.
Deitou-se na cama, em posição fetal... Após registrar em um bilhete:
Mas ansiava mesmo por seus trinta anos novamente, a partir desse marco, ela estaria pronta para olhar atentamente aos detalhes que deixara passar na primeira vez.
Com trinta anos, percebeu que sua vida não era bem como havia imaginado que seria, mas considerou que poderia lidar com isso, afinal... Não era um sonho... Era vida real!
Aos trinta e um, bradou aos quatro cantos seu direito de ser outra ou deixar de ser outra e finalmente ser ela... Mas as circunstâncias abafaram gradativamente seu grito até que ela não pudesse mais se escutar... E acostumando-se com isso, decidiu ser muda.
Aos trinta e dois anos, condicionada ao silêncio, qualquer ruído agredia seus ouvidos, como fisgadas insuportáveis de verdade, foi quando percebeu que seria muito confortável se além de muda, fosse surda.
Aos trinta e três, não falava nada que não pudesse ser dito, não escutava nada que parecesse ruim, mas seus olhos ainda enxergavam... E em seu reflexo no espelho encontrou traços de alguém que conhecera muito bem... E isso acelerava seu coração, causando inquietação, lágrima, questionamento... Pensou que 'nem tudo é o que parece ser' e, para proteger-se de seus olhos, fez-se cega.
Aos trinta e quatro, mesmo cega, surda e muda, notou o movimento de suas pernas. Ela podia andar e sabia que encontraria o caminho, porque não era preciso vê-lo, o conhecia porque o traçara tantas vezes em seus planos...
Guardava os esboços desse mapa no coração... E para conter o impulso de correr, quebrou suas pernas... As duas, de uma só vez.
Aos trinta e cinco, imóvel, não via nada, não dizia nada, não escutava nada...
Mas a lembrança e a aquela saudade de 'não sei o quê' ardia em sua pele e a não ser que ela a arrancasse com suas próprias unhas, ela sentiria sempre sua omissão diante da sua própria vida...
A pior traição é a de si mesma...
O pior abandono é o de si mesma...
A única ausência insuportável é a de si mesma.
Decidiu voltar...
35,
34,
33,
32,
31...
... Até recuperar seus sentidos... E sentir.
Deitou-se na cama, em posição fetal... Após registrar em um bilhete:
'Deixei para ser feliz em outra vida, fui atrás dela... Esta não me interessa mais'.
NOTA:
Ser feliz em outra vida...
Você sabe se isso existe... Outra vida?
Ser feliz em outra vida...
Você sabe se isso existe... Outra vida?
Você vai arriscar?
E mesmo que sua fé te faça acreditar que há uma nova chance depois dessa... Após desperdiçar toda uma existência, você se consideraria digna???
Você acha que a teria como um prêmio por seu sacrifío e abnegação?
A hora de ser feliz é agora...
A vida é o prêmio em si. Não há nenhum outro no final do caminho...
Só a morte... a sua e de todos os sonhos.
A hora de ser feliz é agora...
Talvez seja preciso remanejar algumas coisas, abrir mão de outras. Inevitavelmente você vai magoar algumas pessoas, encarar algumas rupturas e sentir falta daquilo que parecia ser totalmente dispensável... Ou ainda, daquilo que era notoriamente ruim.
Tenha em mente que ninguém vai salvar você... Essa tarefa é sua!
Nada de extraordinário acontecerá para transformar a sua vida...
A transformação começa dentro de você... E vai até onde você for.
Até onde você vai?
Talvez seja preciso remanejar algumas coisas, abrir mão de outras. Inevitavelmente você vai magoar algumas pessoas, encarar algumas rupturas e sentir falta daquilo que parecia ser totalmente dispensável... Ou ainda, daquilo que era notoriamente ruim.
Tenha em mente que ninguém vai salvar você... Essa tarefa é sua!
Nada de extraordinário acontecerá para transformar a sua vida...
A transformação começa dentro de você... E vai até onde você for.
Até onde você vai?

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