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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Meu malvado favorito


Às vezes um ‘papear’ descomprometido, uma piada despretensiosa nos traz aprendizados absurdos sobre quem somos.
 
O papo começa ‘light’, ofereço um DVD da minha coleção emprestado a uma amiga: ‘Labirinto’, de 1986, com David Bowie e Jennifer Connelly no elenco.
 
Conto que assisti no cinema e muitas vezes depois na ‘Sessão da Tarde’.
 
Bowie fazia Jareth, uma espécie de Rei dos Duendes.
Jareth era essencialmente maldosinho, não tinha sentimentos nobres, mas tinha uma queda por Sarah (Connelly), para quem realizou um desejo... E cobrou bem caro por isso...

 
Finalizo minha oferta e a sinopse, dizendo: “Eu torci o tempo inteiro pelo vilão”.
 
Rimos disso.
 
Só que a piada não acaba por aí...
 
Lembro-me de outros filmes, principalmente os de Vampiros: Invariavelmente eu torcia por eles!
 
Começo ficar assustada...
 
Meu romance preferido é o ‘Morro dos Ventos Uivantes’: Amo o Heathcliff.
 
Vocês conhecem Heathcliff? – É o personagem central: Apaixonado e vingativo possui sentimentos tão intensos que beiram a loucura, a ponto de destruir a si mesmo e todos ao seu redor - E mesmo assim... Eu amo Heathcliff! (A propósito, Ralph Fiennes o interpretou lindamente em 1992.)
 
Voltando às minhas assustadoras preferências, lembro-me também do filme ‘O segredo de Mary Reilly’, uma adaptação do médico e o monstro. A simples aparição de Mr. Hyde me arrepiava a espinha... Ele era mais poderoso, atraente e sexy que o bobão do Dr. Jekyll.
 
Se eu começar enumerar, finalizo este texto marcando uma consulta com um psiquiatra.
 
Por que os maus são mais fascinantes?
 
Só eu acho isso?
 
Antes de providenciar minha internação, eu queria falar sobre outro assunto que eu acho fantástico: A Síndrome de Estocolmo.
 
Não sou profissional da área, mas trata-se de um estado psicológico presente em algumas vítimas de sequestro! Elas desenvolvem um vínculo afetivo pelo sequestrador!
 
O nome “Síndrome de Estocolmo” surgiu em 1973, após um assalto a banco, na capital da Suécia que durou 6 dias. Os reféns então libertos insistiam em defender os bandidos!
 
A explicação é que, sob grande stress, as vítimas acabam por identificar-se emocionalmente com seu algoz, um recurso inconsciente para proteger-se do medo e dor.
 
Qualquer ínfimo gesto gentil é ampliado e visto como prova de carinho, afinal, aquela ‘pessoa’ tem ‘vida e morte nas mãos’, ‘o pão e a fome’...
 
Isso me lembra uns sussurros da Madonna na música ‘Erotica’:
 
“Only the one who hurts you can make you feel better...
Only the one who inflicts the pain can take it away”

A tradução é mais ou menos assim:

“Apenas aquele que te machuca pode fazer você sentir-se melhor...
Apenas aquele que infringe a dor, pode levá-la embora”


Que loucura... Mas faz sentido.

Será que é esse pensamento que muitas vezes nos prende a relacionamentos falidos com pessoas emocionalmente inviáveis???

Todo mundo conhece alguém ou já passou por isso: Insistir em algo doente por acreditar nessa interdependência de dor e amor.

Vitimar-se, ser frágil, depender do outro para rir ou chorar, transferir a responsabilidade da própria felicidade: É mais fácil quando temos alguém para atribuir a culpa!
 
E nesse caso, o mal que nos fazem é o mal que permitimos, em troca do conforto de não nos cobrarem por nossas próprias escolhas!

Parece insano, mas na vida o importante é ser feliz...

Nesse mundo lotado de gente e solidão, não há espaço para rótulos, preconceitos, certo e errado, bom e mau...

Cada um sabe o alimento de sua alma!

Duvida?

Assista ‘Ata-me’, do Almodóvar!

Eu, pessoalmente, acho todas essas histórias fantásticas, intensas e excitantes... Mas não vejo final feliz!

Tudo bem, após o ‘cativeiro’, A Bela e a Fera estão aí... ‘Felizes para sempre’ há séculos...

Mas quem acredita em contos de fadas?


 
 
Nota:
O texto é de 2008.

É possível que novos vilões habitem os meus pensamentos... Achei melhor não parar para enumerar.
Uma amiga minha me deu umas ‘respostinhas’ essa semana que me fizeram rir.

Estava chorosa por conta de alguns ‘tocos’ que esses meninos dão na gente e perguntei:
- Poxa... Por que ele está fazendo isso?

E a pronta resposta dela:
- Por que você gosta e ele sabe disso!

E diante do breve sumiço do moço:
- Onde ele está, amiga?

Outra respostinha maldita:
- No inferno se aperfeiçoando na arte de ser mal.

É... Língua afiada dessa minha amiga... Acho que ela também é má... Será que é por isso que gosto tanto dela?
Em minha defesa:
Não é assim não!!! Gosto muito de ser bem tratada... Muito mesmo!!!
Eu me apaixono por atenção, retorno, mensagens, presença, carinho, preocupação, 'bom dias' e 'durma bens'... Perco o ar!!! E depois o medo! E depois o juízo...
Mas gosto muito de gente inteligente... E a maioria usa a inteligência pro mal... Acho que é isso!

4 comentários:

Unknown disse...

Acho q tbm gosto do malvado das histórias... rs.. muito bom...gosti!!

Daniela disse...

Ahahah... As vezes acho que me falta o gosto pela paz!!!!

Anônimo disse...

Todos esses "malvados" que você listou são apaixonantes... e lindos... Adoro todos... <3
Qto aos outros acho melhor falarmos pessoalmente.. kkkkk
Bel

Daniela disse...

Falaremos... Como sempre!!!!
Logo mais na cafeteria mais próxima!!!!
Beijos e obrigada por existir!!!