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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Desculpa-me


Ah... Desculpa-me...

Desculpa-me te gostar amando... É só assim que sei fazer...
Desculpa-me te experimentar devorando... É só assim que eu sei ser.

Desculpa a minha overdose de tua homeopatia... Eu não sei parar.
Desculpa a ansiedade e a maneira como invado teu silêncio, teu espaço e o teu pensamento... Não sei me comportar
Desculpa-me a maneira como te imponho minha presença, meu corpo, meu gozo...
E a maneira como me dedico ao teu.

Desculpa-me se ritualizo nosso sexo, valorizo nosso riso e separo para nós os melhores vinhos, os melhores sabores... Ludibriando a tua percepção.

Desculpa-me se eu te preciso... Surpreender e prender:
Entre minhas pernas, meus braços e secretamente em minha vida.


Desculpa-me não te oferecer resistência...
Desculpa a minha incapacidade de te dizer não.


Desculpa a minha reação exagerada diante de quase nada...
Quase sempre certa... Quase nunca errada.

Desculpa essa minha certeza incerta, minha decisão indecisa...
É que não preciso ter certeza para decidir.

Desculpa as minhas convicções nada invictas...
Desculpa meus pecados cheios de Deus...

Desculpa a força das minhas fragilidades...
E desculpa também a fragilidade da minha força...

Desculpa-me se da rosa, sou menos pétalas e mais espinhos.
Desculpa-me por ter sonhos grandiosos e pensamentos mesquinhos.

Desculpa a violência, desculpa a minha demência, desculpa minha sanidade que é assim...
Quase insana.

Desculpa minha imprecisa sinceridade...
Desculpa-me por corromper tuas mentiras com um pouco da minha verdade...

Desculpa-me a total falta de intenção de que tu me desculpes...

Desculpa-me por não querer teu perdão.




Ah... E desculpa-me por encerrar sem verso original, e preferir a citação:

"Termino essa minha vida exausto de viver, mas querendo ainda mais vida, mais amor, mais travessuras. A você que fica aí inútil, vivendo essa vida insossa, só digo: Coragem! Mais vale errar se arrebentando do que se preparar para nada. O único clamor da vida é por mais vida bem vivida. Essa é, aqui e agora, a nossa parte." - Darcy Ribeiro.




terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Carta Devolvida ao Remetente


Se tu não sabes, eu te amei.
Um amor doído e cheio de impossibilidades
Um amor maculado e de meias verdades
Um amor cheio de sonhos
Camuflado no desejo e na vontade...

Um amor menor que o meu querer...

Porque, Deus, como eu te quis!

Te quis tanto que atropelei o que eu sentia...

Tu precisavas ser real para mim...
Eu precisava ter na pele vestígios de ti...
Porque um sonho era pouco...
Um sonho era nada.

Escondi minha alma em meu corpo e te dei.

Contemplo as cicatrizes, sagradas consagrações...
Registros de que tu vieste,
Como anunciaram os ventos, tu vieste...
E me marcaste para sempre.

E é assim que quero ficar...
Marcada pela queda ao atirar-me em teus braços
Liberta pelo vôo de acreditar que vieste para ficar...

Sussurram teu nome em meu ouvido
E nos encontramos para que eu pudesse gritá-lo tantas vezes
Eu me contorcesse de dor e prazer
Nas infinitas horas que foste real

Machuca o teu silêncio
Machuca esse tormento
Mata essa saudade do que não foi
Enquanto justifica a vida
A possibilidade de amar
Desmedidamente amar.

Mostraram-me teu rosto
Lançaram-me teu perfume:
Tu virias,
Tu vieste,
Tu foste.

Anunciaram-me tua chegada...
Sonegaram-me a notícia da tua breve estada...
Negaram-me a informação da tua partida!

Foste...

Fingi que não era nada...
Fingi que a dor não me vitimava
Fingi que seguiria sem você aqui.

Foste...

E meu corpo espera gelado
Que tragas minh’alma de volta.

Se tu não sabes...
Não sabes.
Não saberá.




NOTA:
Esse poema é de Março de 2009...
Tratamento para uma dor que demorou tanto a passar.
Passou!
Não dói mas está marcado...
Como uma cirurgia... Uma cicatriz.


Engraçado é ver que o tempo me tirou um pouco a juventude, um pouco a inocência, um pouco o destemor... Tudo um pouco.
Mas não tirou nada da capacidade de amar... Continuo amando assim.
E sinceramente não sei se sorte a minha... Ou azar o meu.
Vivo dissimulando e reprimindo a minha vontade de declarar, de desejar porque ela não é considerada adequada... Por auto-preservação... Ou simplesmente para não perder um cara assustado diante de tanto querer... Estou exausta.

E o objeto desse amor??? Sinceramente não sei se é sorte a dele ou azar o dele...
Interessa tanta coisa assim? Se dá pra viver com menos... Porque alguém ia querer tudo isso? Por outro lado... Porque alguém ia querer viver com menos?

É... acho que é azar o nosso!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

São Paulo


Eu que sou tão pequena,
Hoje me sinto assim...
"Cidade Grande".


Onde pessoas entram e saem,
Buscam e tiram algo...
Como se a ela não devessem nada.

Filhos dessa terra,
Filhos de todos os lugares,
Mãe e madrasta de todas as almas...

No auge da minha pretensão, finjo ser forte...
Massa cinza que reveste a paisagem.

Dia e euforia.
Noite e insônia.
Abrigo dos desejos não confessos...
Da solidão no sexto andar,
Do descompromisso sobre as calçadas,
Da pressa de chegar.

Brinco com fogo e me queimo.
Brinco com faca e sinto o corte.

Por algum tempo, cidadã do mundo, tudo posso;
Até que essa cidade me devolva ao meu lugar,
Ao meu tamanho certo,
Meu rumo incerto.

E aí... Bom dia...
Nem todo dia é domingo.
Nem toda avenida é paulista.
Restam poucos dias para ser feliz.

As pessoas são mais tristes nas grandes cidades...
Congestionamento descongestiona pensamentos...
E de repente, em meio ao caos, a verdade!

O mundo é pequeno, a cidade grande não!
O mundo vai acabar... Não antes de mim:
Perdida, aflita, nessa cidade que me engana sem mentir.

Arranca meu coração e concreta em seu chão de concreto...
Seus muros de concreto... Seus prédios de concreto...
Tudo isso é tão abstrato.

Quem cura a solidão sozinha...
No frio, na garoa, nas distâncias da cidade grande?
Quando vôo, lá de cima pela janela do avião, vejo que ela cabe na palma da minha mão...
Eu a esmagaria.

A cidade bem aqui... Sobre as linhas que marcam o meu destino...
Que tamanho teriam as pessoas?
Quem estaria sobre esses risquinhos mal feitos de breves encontros?
O que importa?
Eu esmagaria. 

O ar carregado de tudo que é impuro faz bem à memória
E lembro:

Vejo-me nua
Vejo-me crua
Eu amei a mim mesma quando estava sobre você
Mais do que eu lhe amei! 


P
ele áspera
Carinho seco
Breve sonho
Hormônios

Cidade Grande.

 
 

NOTA:

Esse texto nasceu há muitos anos... 

Tenho um problema com São Paulo...
Sempre tive.

Já senti muito medo, já senti muita tristeza, já senti muita esperança, já senti muito desejo, já senti muita paixão, já senti muito amor, já senti muito desprezo, já senti muita alegria, já senti muito desespero, já senti muita euforia, já senti muita saudade...
Sempre muito... Tudo intenso demais.Meus maiores sonhos nasceram e morreram em São Paulo...
As maiores promessas... Feitas e desfeitas em São Paulo...

Eu subo a imigrantes sempre a flor da pele...

Por tudo que será... ou por tudo que foi... ou por tudo que não é mais...

A Paulista me emociona... O Bexiga... Praça Benedito Calixto... Estação São Joaquim...
E cada dia que passa agrego mais lugares, mais histórias, mais pessoas...


Me perco em São Paulo...
Mas sei desde sempre que é lá que vou me encontrar...
Se eu aguentar... Porque a dor dói mais... dói demais em São Paulo.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Fiu… Fiuuuuuuuu!


Antes de começar meu texto de hoje, fui olhar os comentários do último (É ou não É).

Gostei do que lá estava.

Agradeço a todos.

Uma coisa que me chamou atenção:

Sou capaz de apostar que o par de pernas compridas e da pele amarela que citei lá no texto, esteve por lá.

Eu amei o fato de ela, de alguma maneira, procurar por onde ando e acho que em algum momento ela vai se achar nesse texto também.

Voltando ao texto deste sábado, essa idéia não é minha, mas de uma leitora do blog da Dani, que sugeriu uma visão masculina das cantadas mais chulas que os homens costumam passar na mulherada...

Logo que ela propôs o tema, eu gostei.

Acho que sou capaz de dizer impropérios de deixar qualquer um boquiaberto.

É perceptível o arregalar de olhos e a notória mudança da feição quando não se espera tamanho baixo calão.

- Você disse isso mesmo?

- Mas é claro que disse...

Pode-se até dizer, não gostei disso, mas é notada a mudança da volúpia.

Mas convenhamos, uma baixaria no ouvido naquela hora louca, coloca uma pimenta nos quatro cantos de uma cama.

Para que os pudores? A pornografia precisa ser liberada ali.

Isso é uma mutação do tema proposto, pois existem aquelas cantadas onde logo se imagina um caminhão de entregas das Casas Bahia, onde  geralmente um elemento vai ao volante com óculos de aviador, apenas uma das mãos na direção e o cotovelo apoiado na janela.

Os outros dois da boléia estão com as camisas desabotoadas e pêlos expostos, vão a esticar seus pescoços pelas calçadas à procura da vítima perfeita.

Vítima perfeita é aquela com micro-shorts, legging, tomara que caia, calça jeans cintura baixa, ou mesmo aquela calça que a proprietária desceu dois números sem o menor pudor. Simplesmente se jogou dentro da calça, e certamente precisará de ajuda para tirá-la ao final do dia.

Lingerie marcando as curvas, e alças de sutiãs expostas, acrescentam doses e doses de feromônios no indivíduo. Isso mesmo feromônios, pois literalmente viramos animais.

O tesão nunca é bom conselheiro.

Tesão, faz achar que o mundo é perfeito,

Faz achar que tamanho não é documento,

Faz acreditar que preservativo é acessório e que pílula do dia seguinte tem 100% de eficácia.

Mas só os entregadores das Casas Bahia são capazes de tal baixaria?

Claro que não! Todos os homens são!!!

Algumas mulheres desejam uma baixaria, pedem uma baixaria.

 Elas gostam de romantismo, gostam de flores, gostam do ‘rame-rame’ de Michael Bublé.

Mas gostam de sentir cobiçadas também.

Se fizer rir, melhor ainda,

Já ouvi muito...

“Eu coloco um shortinho e passo ali do lado da obra”

 Esperando o que?

Como você está linda hoje?”

Impossível... Vai ser de gostosa pra lá.

Então meninos...

Liberte o monstro do baixo calão que habita em você, descubra o limite dela.

Ouse. O resultado é surpreendente.

Às vezes, até um tapa na cara pode colocar fogo na sua cama.

 
AF - Menino - 34 anos - Santos

 


NOTA DA DANI:
Olha... Eu não sou parâmetro... Acho que não sou padrão de ‘menina’... Ou pelo menos admito coisas que ‘meninas’ não deveriam... Mas gosto sim de cantada:
Cantada inteligente... Cantada com humor... Cantada com malícia!!

E sobre por pimenta numa cama... Vale o que for!!!

Mas é assim... Como eu disse em outra nota de um texto de AF (50 tons de patifaria):
- Uns podem tudo... Outros... ECA!!!!!

É a maldita sintonia, o maldito encaixe, o maldito ‘não sei o que’ que a gente tem e que reage com o ‘não sei o que’ que uma determinada pessoa tem!!!

E por conta desse ‘não sei o que’ descartamos todas as opções que temos...
Porque queremos essa merda que nem sabemos dizer o que é!!!

Como escutei na música de Ricardo Arjona:

“Y es que el problema no es cambiarte... El problema es que no quiero”

Bom... Deu para perceber que tudo isso é muito mais um desabafo que uma nota.
 
E já que é assim, me responde:
 
“Y como deshacerme de ti... Si no te tengo”

Sigo sem saber... El problema es que no quiero.

 


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Playlist

Hoje escutei músicas novas...
Quer dizer, músicas velhas pela primeira vez.
Indicações de alguém que achou que elas, as músicas, me agradariam.
Acertou!

Ele tem acertado em muitas coisas. (Um perigo isso!)

A música é latina...

Escutei várias do mesmo cantor, amei duas 'à primeira ouvida'... E as cantarolei repetidamente por toda manhã...

É que se no meio da música tiver uma só frase que eu goste, ela vai SIM para meu 'Playlist'!

Gosto de músicas latinas porque nelas os homens amam com tanta, tanta devoção e desespero que parecem mulheres!!!!!!

E não é isso que a maioria das mulheres quer? Ser amada por um homem como só uma mulher sabe fazer?

Podem até dizer que é música de 'corno', mas quem nunca foi, que atire o primeiro CD... No lixo! (Ou envie para o meu endereço porque eu gosto!!!!)

Piadinhas a parte, a música latina fala de exageros, amores desmedidos, escancarados, sem vergonha na cara... Sem vergonha da vulnerabilidade enorme que essa condição de estar apaixonado nos coloca...

E esse tipo de amor é o único que conheço... Ou melhor, o único que reconheço!

O resto para mim são formalidades, pró-formas, amostra grátis... 
Tudo muito racionado... Como comer iogurte de garfo, sabe?

Iogurte eu como com o dedo... E lambo o potinho!!!!!

Eu só sei amar assim... rasgando!!!!!!!!!!!!!!!

Rasgando a alma, rasgando seda, rasgando cartas e fotografias... 

Amor de conta gotas não dá!!!!! Amor não é homeopatia!!!



Nota:
Escutei as músicas e elas me deixaram a flor da pele... 

Também esta manhã, li um comentário novo no meu blog e me emocionei com ele...
Pela identificação... Me senti aprovada e acolhida.

Tudo isso mexeu tanto comigo, que tive vontade de cozinhar (Ahahah - Qual a relação disso, hein?). 


Sim... Após quase um ano me deu vontade!

Entrei na internet e imprimi uma receita!

Vou ficar paradinha... Esperando a vontade passar...

Se não passar, teremos uma bela Lasagna de Camarão!

O que será que isso tudo quer dizer?

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Felicidades pelas Bodas

Voa Pássaro Preto...
Voa para longe de mim.

Me deixa muda, imunda... Voa e canta.

Voa porque aqui não há nada,
Não houve nada...

Plana sobre o seio da terra onde não te interessa um ninho...

Voa, menino... Voa e canta.
Canta porque não há mais encanto...
Há silêncio e pranto sem você aqui.

E com tanto céu
Cansou as asas (não merecia tê-las)
Encolheu-as e pousou.

Mas pássaro, menino, canta solto..
Grades de ouro reluzem e duram mais que o desejo de ficar (Eu sei, estive lá).

Que a gaiola que escolheu
Te silencie pouco a pouco...
Que te deixe louco
Alucinando em saudades
Das terras que te acolheram...
Quando você podia voar.

Talvez o amor não seja um prêmio...
Talvez seja, enfim, o teu castigo.




NOTA:
O poema foi 'presente de casamento' para um 'amigo' que se casou há alguns anos.

É... Como diz aquela música do Titãs: 'Nem sempre se pode ser Deus'.
Eu nem sempre encontro a paz e o perdão no meu coração...
Por isso esse 'lindo presente'. 


Ao reler esse texto de 2009, lembrei que dia desses reencontrei 'meu amigo'...

Entre outras coisas, ele me disse assim,  como quem se protege de um perigo iminente:
"Eu amo minha família".


Ri... Um riso nervoso ao me imaginar (ou me lembrar) nesse contexto...

Convenção social!


Eu como esposa ficaria profundamente ofendida:

- Ame a MIM e a nossa família... Mas ame a MIM separadamente.
- Me ame como MULHER primeiro... Porque é o que sou antes de ser esposa.
- Não ame o contexto... ME ame!!!


Não aceito menos que isso...

Mas essa sou eu.

 


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Vasos também voam

E aí ele disse:
“Estar contigo é nadar em águas calmas... Pisar em solo plano”.

Ela sentiu que aquilo deveria ser um elogio, já que havia certa ternura em sua voz... Já que a declaração seguiu-se de um afago doce, quase fraternal...

Águas calmas.
Solo plano.

Ela queria ser montanha russa, Paris Dakar...
Ela queria subidas e descidas, frio na barriga, queda livre...

Solo plano e águas calmas: Isso parece matéria prima de vaso de barro... Enfeite na estante, imóvel sobre o móvel, cumprindo um dos papéis mais primitivos da mulher: Esperar.

Esperar que ele volte da caça.
Esperar que ele a queira.
Esperar sua cria.

Esperar
Esperar
Esperar

Em 2008 esperar:
Que ele volte da caça?
Que ele a queira?

Que ele continue querendo caminhar em círculos nesse terreno limitado.
Banhar-se nessas águas previsíveis.

Ela continua esperando:
Que o papo cale,
Que a cerveja acabe,
Que a TV desligue,
Que a promessa se pague:
Ser prioridade.

Ser mármore, não barro;
Estátua nua, carne de Vênus De Millus;
Obra de arte e não enfeite, adereço de decoração:
Um grotesco e inócuo jarro.

É tão tarde... Tarde demais.
Nada nunca será o mesmo.

O jarro quebrou.
Alguém mexeu no vaso empoeirado na estante...
E descuidado deixou cair.
Barro seco se espatifa no chão...
Os cacos são mais belo que o vaso em si...
Os cacos têm mais vida...
Os cacos têm uma história...

A história da queda:
Ela começa com o cambalear indeciso: Tombar ou atirar-se no abismo...
Enfim queda livre.
Choque do corpo no piso frio.
Sem amortecedores.
Carne em cacos.
Alma em cacos.
Se tivessem voz, os cacos ecoariam um tênue gemido de prazer por ser o que são: História de um vôo... Movimento e caos.

Crash seco.
Crash por dentro.
Crash.

Ele recolhe os cacos...
Em pedaços, ele ainda quer a peça:
Remendada.
Parada na estante.
Em uma prateleira mais alta...
... Para não acontecer de novo.



NOTA:
O texto é de 2008...
E é tudo, tudo que eu não quero sentir... Nunca mais.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Paradoxo

Romperam.

Após 8 anos juntos, Marcela e Danilo não eram mais... ‘Má’ e ‘Dan’.

Marcela era simplesmente Marcela...
Não só Má...  Era Marcela inteira.


E tudo bem depois do baque, do susto, da raiva, da solidão, da aceitação e do redescobrimento de si mesma.
A vida segue e ela seguiu, primeiro como deu... Depois como escolheu.
Mas isso é mera introdução.

Esses dias, Marcela recebeu uma ligação de um amigo.
O amigo super bem intencionado falou o quanto ela ainda era jovem e bonita e muito merecedora de amor e felicidade... Que torcia por ela porque ela era diferente da mulherada por aí, ela era uma moça bacana e que só tinha ‘louca dando sopa’... Que as mulheres estavam muito fáceis... Disponíveis, mas que ela era diferente e logo ela encontraria alguém legal que valorizasse isso.

Imediatamente ela lembrou dos ‘posts’ de Facebook de suas amigas... Eram indiretas pra todas essas ‘vacas’, inclusive a que, de alguma forma, influenciou no final de seu relacionamento. Amigas sempre abraçam causas como essas!
Eram sempre ilustrações engraçadas, com frases como “mulher safada tem de monte”, “mulher fácil é fácil” e falando sobre as vagabundas soltas por aí... Que não se valorizam, que correm atrás, que topam tudo... E o quanto elas, Marcela e suas amigas, eram mulheres que mereciam ser bem tratadas, mereciam sorte, mereciam amor... Porque eram “direitas”.

Nunca se sentiu a vontade em 'curtir' esses 'posts'.
Agradeceu, despediu-se, desligou o telefone, encolheu o ombro... Sentiu algum embaraço.


O engraçado é que ela não havia sentido embaraço ao mandar 15 mensagens no mesmo dia pro ‘carinha’ que estava saindo e tinha escasseado o contato, depois é claro de dormir com ela.
O estranho é que ela não tinha sentido vergonha de mandar fotos convidativas para provocar novos encontros.

O que a intrigava é que em nenhum momento corou quando insistentemente convidou para sua cama esse mesmo ’carinha’ e com ele enlouqueceu sobre ela.
A única coisa negativa que sentia em relação a isso eram os intervalos... Eles sim a torturavam.

Questionou-se sobre o quanto as pessoas realmente a conheciam... Ou o quanto ela se conhecia.
Questionou-se sobre em que exato momento ela deixou de ser, sem que ninguém percebesse,  a ‘Marcela direita merecedora de amor’ para ser a ‘mulherada fácil que só serve para comer’.

Pensou no paradoxo...
Seu desejo deveria existir apenas para que ela pudesse resistir a ele...
Seu desejo deveria existir apenas para ela dissimulá-lo...
E isso determinaria quem ela era...
A prova de fogo que a tornaria uma mulher legal.
Pensou em si mesma puta e fácil...
Pensou no seu corpo suado debaixo e sobre o corpo daquele cara...  
Pensou nela de quatro...
Pensou nas coisas que disse, que fez, que sentiu...
Pensou nas vezes que extrapolou os limites da auto-preservação e se fodeu depois... Mas não sem foder muito antes.


Depois pensou nela sentada em seu sofá esperando um convite, porque mulher direita não convida.
Depois pensou nela não cobrando mais uma noite, porque mulher direita se resigna quando o cara parece não querer mais.
E pensou nela dizendo ‘não’, porque aquilo mulheres bacanas não faziam.
E pensou em uma longa espera por um cara que a quisesse porque ela era uma mulher pra se querer... E o quanto ela deveria ser grata a ele por tê-la reconhecido e finalmente o quanto ela poderia enfim entregar seu corpo como forma de apreço... Afinal, por tanta consideração com ela, ele mereceria gozar.

E teve vergonha... Vergonha de acharem que ela era uma moça direita.



Nota:
É só um conto... Sem intenção de ganhar ponto.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

'Experiencia Religiosa'

'Experiencia Religiosa' é o nome de uma música do Enrique Iglesias...

Sim! Enrique Iglesias, com todo seu ‘Latin Appeal’, sua voz rouca, queixo projetado, olhar ‘meia folha’.

Muita gente torce o nariz... Mas eu gosto tanto...Tanto dessa música!

Mas não sei dizer se ela é brega, linda ou... os dois!!!!

Acho que é possível ser os dois... Eu mesma sou coisas tão antagônicas ao mesmo tempo.

Entre as coisas lindas na canção... Que ‘me encantaría escuchar’, ele compara estar com ela a uma ‘experiencia religiosa’... E pior... Em espanhol!!!! O apelo é grande!!!!

Tudo nessa vida está sujeito a interpretações... Então, eu vou contar a minha ideia de experiência religiosa... Até porque há tempos eu adotei essa expressão para explicar coisas inexplicáveis... Sensações sublimes...

Para mim, um mergulho no mar está perto de uma experiência religiosa...
É a inserção do meu corpo na natureza....
Mesmo sem pertencer à perfeição daquela paisagem, o mar não me expele...
Ele me abraça, me aceita, me cobre...
É a comunhão da minha alma humana com o que é Divino.

Também pra mim, essa 'sensação sublime' é como a surpresa de descobrir algo que sempre esteve lá... É um desejo que a nossa alma tinha e não sabia...
E só nos damos conta, quando diante da realização desse desejo...
Nós o reconhecemos:

- O que é isso? Não sei... Mas eu sempre quis!

Experiência religiosa é um beijo que não nos deixa pensar....
E nos arranca de dentro de tudo que conhecíamos... De tudo que é seguro...
Só não saímos do nosso corpo simplesmente porque nos recusamos a largar aquele banquete de sabores indescritíveis.

É quando um olhar anuncia sem nenhuma palavra o que está prestes a acontecer...
É a rendição diante daquilo tudo que não queremos lutar contra.

É o olho aberto, a luz acesa...
A explosão do que se vê, se sente, se prova, se escuta... É o gemido.

A experiência religiosa é a lembrança do Céu e do Inferno quando nosso corpo reage inexplicavelmente ao outro... A uma voz... Ou a mera visão de suas palavras... Perturbação!

Eu sempre tive linhas e mais linhas para descrever e convencer sobre o que é isso... A tal experiência religiosa...

Eu daria tantos exemplos, diferentes dos acima, fictícios e ilustrativos para me fazer entender...

Mas aí surge alguém... E resume tudo:

Ele tem sido 
a minha ‘experiencia religiosa’.

“Y es casi una experiencia religiosa
Sentir que resucito si me tocas
... ( ) ...
Besar la boca tuya merece un aleluya
Es una experiencia religiosa”

De repente, me ajoelho... E me descubro devota!


Nota
:
Ah... Nem tenho mais nada a dizer...
Então canto:
"Vuelve pronto mi amor te necesito ya"


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Amor Perfeito

Minha prima, minha linda e saudosa prima costumava dizer:

“Eu estou aqui em casa e sinto que tem alguma coisa lá fora muito grande acontecendo da qual eu deveria fazer parte".

Eu ria...
Balançava a cabeça e ria...
Sem entender direito essa urgência que ela tinha de vida...

Hoje é tudo tão claro.

Tínhamos a mesma idade...

Ela era a ‘prima maluquinha e criançona’ e eu a prima ‘madura, cabeça’ (detestava esse lance de ‘cabeça’, mas era moda na nossa adolescência – Nessa época, me interessava muito mais ser ‘gata’... Mas enfim... ‘A gente se diverte com o que tem’).

O curioso é que, a cada ano, conforme eu envelheço, entendo melhor o que ela, em sua sábia inocência, queria dizer...

Há dias em que sinto exatamente a mesma coisa...

Estaria eu percorrendo o caminho inverso?
Perdendo o bom senso e ganhando pouco a pouco a inconsequência de uma juventude tardia?

Que herança preciosa...
Que herança perigosa...

Esta noite, há alguma coisa lá fora, da qual eu deveria fazer parte...

Esta noite, há alguma coisa lá fora da qual eu queria fazer parte...


Minha parcela no testamento, ela me deixou em vida:

As músicas que cantamos,
As Tequilas que tomamos,
O inesquecível porre de St. Remy,
Os gritos de guerra na saída da balsa,
As tardes de beleza e máscaras de iogurte,
As lágrimas que choramos,
As gargalhadas...
As ‘paradas erradas’...
Os aniversários em Boiçucanga...

Sua partida não foi planejada...
Seu corpo não agüentou a agitação de sua alma...

Ficou sua vida em mim...
Ela e eu nesse corpo de intensidade sem fim...

Esta noite, há alguma coisa lá fora da qual eu poderia fazer parte...

E pensar nisso é lembrar dos ‘rituais de preparação’...
Um arsenal de lápis, rímel, sombras e afins...
O importante era ter os olhos marcados, escuros, destacados...
A sombra preta era arma e escudo...
O gloss nos lábios um convite...

E eu, hoje...
Eu...
Ainda pinto os olhos e a boca, mas já não posso abraçá-la e dizer que tudo sempre acaba bem...

Assisto resignada a finitude das coisas, porque depois do fim, a vida continuou...

Uma certa confusão se estabeleceu...

Uma certa dor,
Um certo amor,
Uma certa obrigação de ser o mais feliz que eu puder ser, porque agora...
Exatamente agora...
Há alguma coisa lá fora da qual eu deveria fazer parte...

Fada sininho...
Eterna e bela...
Voou de volta para a Terra do Nunca...
E deixou meu coração coberto de ‘pó de pirlimpimpim’...

Definitivamente, neste momento...
Há alguma coisa lá fora da qual eu faço parte...
Eu preciso ir... E
 vou!




***
Obrigada, Ana Cecília...
*
“Eu não vou saber me acostumar,
Sem tuas mãos para me acalmar,
Sem teu olhar para me entender,
Sem teu carinho, amor, sem você”
*
Finalizo com eterna saudade...
E um sorriso...
No rosto e na alma.
*



Nota:
Esse texto foi reeditado... É de 2008... E não poderia ser mais atual:
Minha fome de vida e juventude tardia... Essa herança preciosa e perigosa!!!

Sonho com a Ana sempre que algo importante está acontecendo...
Ela anunciou a chegada de meu filho...
Ela veio e vem quando eu estou sofrendo... Ou muito feliz!
E veio também as duas vezes que me apaixonei após sua partida.
Amiga que é amiga não fica fora desses assuntos! 

A gente se encontra e conversa... Em sonho.
E em sonho ela me abraça... E eu sinto.
Sim, eu sinto... Em sonho... E acordada.

E eu queria dedicar esse post a Gláucia Rocha... 
Toda vez que olho pra ela... É como se ela validasse toda essa história... 
É como se ela fosse a prova viva de que esse conto de fadas foi real!!!