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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Sobre música, solidão e o incômodo livre arbítrio do outro.



Chegaram meus 'novos velhos' CDs dos Beatles!!

Sim, já tenho todas as músicas em um pen drive, em ordem alfabética...
Mas no CD elas estão distribuídas como os 'quatro fabulosos' determinaram (Bom... Provavelmente os dois - John e Paul eram muito mandões... rsrsrs) e faz muito mais sentido... São ainda mais belas...
Fora que adoro o encarte, as fotos, enfim... Coisa de fã!


Apressei-me em tocá-los!

No CD ‘Revolver’, uma das minhas canções preferidas, ‘Eleonor Rigby’ parecia ainda mais perfeita quando escutada antes de ‘Love you to’ e ‘Here, There and Everywhere’.

“Ah, look at all the lonely people...
… All the lonely people, where do they all belong?”


E como uma peça que não se encaixa, meu coração, que esperava ansioso alguém que gosto tanto e que estava prestes a chegar, aplaudia a música que falava de solidão.

De fato a solidão merece uma música como essa. Uma obra prima de sentimentos cortantes e sonoridade impecável. Que talento é esse que algumas pessoas têm para transformar em arte o que quer que se sinta?

Eleanor Rigby é a prova de que a solidão não é de todo mau. Ela pode ser linda e bem tocada e merece ser tão brilhantemente representada, afinal, a solidão é uma condição permanente.

A solidão é inerente, porque o que quer que eu queira só eu quero; o que quer que eu seja, só eu sou... E o meu livre arbítrio é do tamanho do livre arbítrio do outro...

Não há nada mais frustrante que o livre arbítrio do outro.

Sejam quais forem os planos que eu tenha, não posso incluir neles alguém que tem tantas escolhas quanto eu...

Amar o outro não depende só de mim;
Estar com o outro não depende só de mim;
Comunicar-me com o outro não depende só de mim;
Tocar o outro não depende só de mim;

De mim, depende apenas como lido com essa solidão:
Com a serenidade de quem se tem como a melhor companhia para si mesma ou com a dor de quem constrói seus castelos com os tijolinhos de outra pessoa... Que pode escolher partir.

O livre arbítrio é solidão...
E dessa forma eu escolho que solidão é, em algum nível, algo bom.

Se eu não apreciar conviver comigo mesma, não posso esperar que alguém aprecie.

(E eventualmente, escolha ficar!)

 


NOTA:
Nos meus contos eu escolho o cenário, os personagens, seus pensamentos e desejos... E mesmo que não acabem bem, acabam como eu imaginei quando comecei a escrevê-los... Eu não sinto medo. 


Mas a despeito de tudo que sei... Entre parenteses como se fosse um detalhe, escrevi o meu óbvio e único desejo.

Mas a despeito de tudo que sei... Meu sorriso se refaz quando escuto sua voz em uma mensagem...

A despeito de tudo que sei... Minha respiração se altera quando o tenho por perto... 

A despeito de tudo que sei... Minha mente fantasia que somos bons... Muito bons juntos... E é assim que deveríamos ficar.

A despeito de tudo que sei... Minha pele não consegue querer qualquer outra sobre ela.

A despeito de tudo que eu sei... Meus olhos pedintes ferem o código de conduta e sem nada dizer, dizem: FICA!

A despeito de tudo que sei...
Bom... Nesse caso, acho que tudo que sei não serve para nada.

E exatamente por tudo que sei... Eu sinto medo.



10 comentários:

Livia disse...

Nossa perfeito!!!! Tão eu...rsrs. Bjo Dani.

Janaina disse...

Você é demais Dani!!!!!!

Daniela disse...

Ah! Lívia...
Que feliz que vc é minha super leitora...
E se identifica tanto...
É amiga... Estamos ferradas... Eheheh

Daniela disse...

EBA!!!!
Janaína, leia mais coração!!!!
Espero que goste de muitos outros :-)

Anônimo disse...

Ahhh...
É isso então?
Não aceito não quero.. Não me conformo..
:-(

Daniela disse...

Se é isso?
Com certeza não sei dizer... Mas faz sentido, não?
Não aceita, não quer e nem se conforma?
Eu também não!
Mas repito até me convencer que está tudo bem... Entre um ataque de ansiedade e outro... Até aceitar por algum tempo que as coisas são como são.
'A despeito de tudo que eu sei'... Eu sou só a mulher que desce do salto alto e das certezas... Que de cara lavada e olhos de 'pedinte' espera que nada acabe... Ou que tudo comece.
Leitora... Não sei seu nome, mas sei exatamente o que você quer dizer...

Daniela disse...

Sabe o que eu penso baixinho... Bem baixinho para que não se torne consciente... E eu não comece vislumbrar a possibilidade?
Como vai ser o dia que o livre abítrio do outro escolher ficar... Escolher querer... Me escolher???
Achar que com tudo e por tudo, vale a pena... Que 'a despeito de tudo que ele sabe', vale a pena...
Me dá uma ansiedade quase infantil ao pensar nisso...
Como deve ser??? Deve ser? Pode ser?
Psiuuu... Pára... Pensa baixo se não meu coração escuta!

Anônimo disse...

O cansaço toma conta do meu corpo e da minha alma....
Precisa me salvar.. ou que me salvem....
Obrigada pelas palavras e pelo carinho... e por tudo :-(

Daniela disse...

São só palavras...
E pensamentos...
E desejos...
E sonhos... Como se fosse 18 de maio de 1991... O dia da minha festa de debutante...

Daniela disse...

'All the lonely people... Where do they all belong...'