“Eu estou aqui em casa e sinto que tem alguma coisa lá fora muito grande acontecendo da qual eu deveria fazer parte".
Eu ria...
Balançava a cabeça e ria...
Sem entender direito essa urgência que ela tinha de vida...
Hoje é tudo tão claro.
Tínhamos a mesma idade...
Ela era a ‘prima maluquinha e criançona’ e eu a prima ‘madura, cabeça’ (detestava esse lance de ‘cabeça’, mas era moda na nossa adolescência – Nessa época, me interessava muito mais ser ‘gata’... Mas enfim... ‘A gente se diverte com o que tem’).
O curioso é que, a cada ano, conforme eu envelheço, entendo melhor o que ela, em sua sábia inocência, queria dizer...
Há dias em que sinto exatamente a mesma coisa...
Estaria eu percorrendo o caminho inverso?
Perdendo o bom senso e ganhando pouco a pouco a inconsequência de uma juventude tardia?
Que herança preciosa...
Que herança perigosa...
Esta noite, há alguma coisa lá fora, da qual eu deveria fazer parte...
Esta noite, há alguma coisa lá fora da qual eu queria fazer parte...
Minha parcela no testamento, ela me deixou em vida:
As músicas que cantamos,
As Tequilas que tomamos,
O inesquecível porre de St. Remy,
Os gritos de guerra na saída da balsa,
As tardes de beleza e máscaras de iogurte,
As lágrimas que choramos,
As gargalhadas...
As ‘paradas erradas’...
Os aniversários em Boiçucanga...
Sua partida não foi planejada...
Seu corpo não agüentou a agitação de sua alma...
Ficou sua vida em mim...
Ela e eu nesse corpo de intensidade sem fim...
Esta noite, há alguma coisa lá fora da qual eu poderia fazer parte...
E pensar nisso é lembrar dos ‘rituais de preparação’...
Um arsenal de lápis, rímel, sombras e afins...
O importante era ter os olhos marcados, escuros, destacados...
A sombra preta era arma e escudo...
O gloss nos lábios um convite...
E eu, hoje...
Eu...
Ainda pinto os olhos e a boca, mas já não posso abraçá-la e dizer que tudo sempre acaba bem...
Assisto resignada a finitude das coisas, porque depois do fim, a vida continuou...
Uma certa confusão se estabeleceu...
Uma certa dor,
Um certo amor,
Uma certa obrigação de ser o mais feliz que eu puder ser, porque agora...
Exatamente agora...
Há alguma coisa lá fora da qual eu deveria fazer parte...
Fada sininho...
Eterna e bela...
Voou de volta para a Terra do Nunca...
E deixou meu coração coberto de ‘pó de pirlimpimpim’...
Definitivamente, neste momento...
Há alguma coisa lá fora da qual eu faço parte...
Eu preciso ir... E vou!
***
Obrigada, Ana Cecília...
*
“Eu não vou saber me acostumar,
Sem tuas mãos para me acalmar,
Sem teu olhar para me entender,
Sem teu carinho, amor, sem você”
*
Finalizo com eterna saudade...
E um sorriso...
No rosto e na alma.
*
*
Nota:
Esse texto foi reeditado... É de 2008... E não poderia ser mais atual:
Minha fome de vida e juventude tardia... Essa herança preciosa e perigosa!!!
Sonho com a Ana sempre que algo importante está acontecendo...
Ela anunciou a chegada de meu filho...
Ela veio e vem quando eu estou sofrendo... Ou muito feliz!
E veio também as duas vezes que me apaixonei após sua partida.
Amiga que é amiga não fica fora desses assuntos!
A gente se encontra e conversa... Em sonho.
E em sonho ela me abraça... E eu sinto.
Sim, eu sinto... Em sonho... E acordada.
E eu queria dedicar esse post a Gláucia Rocha...
Toda vez que olho pra ela... É como se ela validasse toda essa história...
É como se ela fosse a prova viva de que esse conto de fadas foi real!!!

6 comentários:
Linda homenagem Dani
Também me lembro muito da Ana, fazendo bagunça nos corredores do Liceu, brincando na educação física, adorando os animais. Que bom que tivemos ela por perto.E onde ela estiver estará sempre te abençoando. Boa semana. Bjo
Ela foi um presente...
Acho que sonhei com ela essa noite...
Queria lembrar!
Adorei, me emocionei de verdade!!! Bela homenagem...
"Há alguma coisa lá fora da qual eu faço parte...
Eu preciso ir... E vou!"
Muito bom!!!!! Um dos melhores textos que já li....
Beijos Danii!!!
Ari :)
Ari...
É por isso que eu VOU...
Beijos e muito obrigada por IR comigo!
Dani :-)
Show Dani... Muito bom.
AF menino.
AF!!!! Você por aqui!!!!
Logo mais teremos um texto seu :-)
Bjs.
Dani
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