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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

São Paulo


Eu que sou tão pequena,
Hoje me sinto assim...
"Cidade Grande".


Onde pessoas entram e saem,
Buscam e tiram algo...
Como se a ela não devessem nada.

Filhos dessa terra,
Filhos de todos os lugares,
Mãe e madrasta de todas as almas...

No auge da minha pretensão, finjo ser forte...
Massa cinza que reveste a paisagem.

Dia e euforia.
Noite e insônia.
Abrigo dos desejos não confessos...
Da solidão no sexto andar,
Do descompromisso sobre as calçadas,
Da pressa de chegar.

Brinco com fogo e me queimo.
Brinco com faca e sinto o corte.

Por algum tempo, cidadã do mundo, tudo posso;
Até que essa cidade me devolva ao meu lugar,
Ao meu tamanho certo,
Meu rumo incerto.

E aí... Bom dia...
Nem todo dia é domingo.
Nem toda avenida é paulista.
Restam poucos dias para ser feliz.

As pessoas são mais tristes nas grandes cidades...
Congestionamento descongestiona pensamentos...
E de repente, em meio ao caos, a verdade!

O mundo é pequeno, a cidade grande não!
O mundo vai acabar... Não antes de mim:
Perdida, aflita, nessa cidade que me engana sem mentir.

Arranca meu coração e concreta em seu chão de concreto...
Seus muros de concreto... Seus prédios de concreto...
Tudo isso é tão abstrato.

Quem cura a solidão sozinha...
No frio, na garoa, nas distâncias da cidade grande?
Quando vôo, lá de cima pela janela do avião, vejo que ela cabe na palma da minha mão...
Eu a esmagaria.

A cidade bem aqui... Sobre as linhas que marcam o meu destino...
Que tamanho teriam as pessoas?
Quem estaria sobre esses risquinhos mal feitos de breves encontros?
O que importa?
Eu esmagaria. 

O ar carregado de tudo que é impuro faz bem à memória
E lembro:

Vejo-me nua
Vejo-me crua
Eu amei a mim mesma quando estava sobre você
Mais do que eu lhe amei! 


P
ele áspera
Carinho seco
Breve sonho
Hormônios

Cidade Grande.

 
 

NOTA:

Esse texto nasceu há muitos anos... 

Tenho um problema com São Paulo...
Sempre tive.

Já senti muito medo, já senti muita tristeza, já senti muita esperança, já senti muito desejo, já senti muita paixão, já senti muito amor, já senti muito desprezo, já senti muita alegria, já senti muito desespero, já senti muita euforia, já senti muita saudade...
Sempre muito... Tudo intenso demais.Meus maiores sonhos nasceram e morreram em São Paulo...
As maiores promessas... Feitas e desfeitas em São Paulo...

Eu subo a imigrantes sempre a flor da pele...

Por tudo que será... ou por tudo que foi... ou por tudo que não é mais...

A Paulista me emociona... O Bexiga... Praça Benedito Calixto... Estação São Joaquim...
E cada dia que passa agrego mais lugares, mais histórias, mais pessoas...


Me perco em São Paulo...
Mas sei desde sempre que é lá que vou me encontrar...
Se eu aguentar... Porque a dor dói mais... dói demais em São Paulo.

Um comentário:

Daniela disse...

Em SP agora...
Querendo muito ir embora enquanto tudo o que eu queria era ficar.