Seu pedido de Ano Novo.
Evocou santos e entidades com os pés cobertos pela espuma do mar e do champagne.
Seu pensamento gritava e repetia: ‘Mais uma vez’ e seu coração explodia no peito mais forte e mais alto que os estouros dos fogos de artifício que coloriam o céu. E com as cores e os brilhos de pólvora cintilante, projetou sobre o céu, como em tela de cinema, a cena que viveria em algum canto de 2010.
"Cruzar o olhar... Prender a respiração e passar por ti e por teus olhos, sentindo que o mundo inteiro pára enquanto isso acontece e sabendo que nem uma folha deixou sua árvore porque te amei nesses segundos.
Quem sabe esbarrar-te: Nossos ombros... Nossas mãos...
Desejando mais: Meus lábios nos teus a depositar a paz que restou depois que a minha vida tropeçou na tua e caiu.
Caiu no asfalto.
Doeu mais levantar-me que a própria queda.
A saudade rega meus pensamentos com a acidez da tua lembrança e com a doçura da memória de mim mesma enquanto envolvida na magia perfeita que só é possível quando o juízo é imperfeito
Pensar em ti sem mim é devastador".
Sentiu um forte tranco... Corpos bêbados encontrando-se sem querer. Sentia-se tão só que não enxergavam ninguém.
- Desculpe... Não vi você. - Voz masculina, lábios grossos e desconhecidos, barba por fazer.
- Não. - Ela responde sem entusiasmo.
- Ei... O que você tem? Vodka, Cerveja, Whisky? - Perguntou querendo entender o que corria em seu sangue para deixá-la daquela maneira.
- Estou... Estou bêbada, mas já estive apaixonada...
E o estranho, sorriu:
- É quase a mesma coisa.
Sua visão e o álcool revelavam um homem alto, pele bronzeada, cabelos alvoroçados, bermudas brancas, como tinha que ser, camisa de mangas arregaçadas. Em uma mão, uma garrafa de champanhe aberta e na outra apenas dedos grossos e penugem negra sobre a pele dourada...
- Sua mão... É linda – Disse ela sem pensar.
- Qual delas? Aposto que esta que segura o champagne. – Brincou.
- E eu aposto, que das duas, a mão ocupada é a mais inofensiva.
- Pode apostar.
Ficaram se olhando em um silêncio quase tímido.
Os pensamentos de Julia, subitamente suspensos...
As dores e desejos anestesiados.
Diante dela um homem que ela não pediu que viesse...
Diante dela um homem pelo qual ela não derrubou uma lágrima...
Diante dela um homem pelo qual ela não perdeu uma só noite de sonho...
Diante dela um homem pelo qual ela nunca pensou em morrer...Diante dela um homem com uma mão linda e disponível...
Relaxou os ombros, pensou e disse:
- Sabe do que mais... Feliz Ano Novo!!!
- Pode ser sim... Se você me ajudar a deixar minha outra mão livre... Bebe comigo? - Ele sorriu.
Ela tomou a garrafa da mão do homem e derramou sobre ela.
- Bebo... E você, bebe comigo? – Mordeu os lábios, lugar comum, e daí? Às vezes é melhor ser explícita... Não era hora para jogar... Subentender... Insinuar... Era hora pra dizer EU QUERO. Correu para trás de um deck atrás das pedras que avistou...
Ele a alcançou.
Ela abaixou as alças de seu vestido.
Ele usou suas mãos para levantá-la e encaixá-la pouco abaixo de sua cintura, ela cruzou suas pernas ao redor dele...
Ele usou suas mãos para levar o seio dela a boca, ela lambeu seu pescoço, mordeu seus ombros, arranhou suas costas...
Ele levou sua mão à boca de Julia, ela lhe chupou os dedos e eles a levaram ao êxtase.
Amanheceram na praia, fazendo promessas de “Ano Novo” que nenhum dos dois pretendia cumprir.
E seu pedido não se realizar,
E se sua promessa não se cumprir,
Ainda sim, ela irá sorrir em 2010.
NOTA:
O texto é de janeiro de 2010.
Júlia é um personagem que criei em 2010... O conto é completamente fictício!
Só que... Em 2013 tive pensamentos e disse frases que estão nesse texto...
Que susto! Notei isso quando li o post antes de enviar para uma pessoa mês passado!
Então... percebi que os personagens que crio... Até os mais loucos... Têm muito ou tudo de Daniela!
Acho que são as partes de mim que eu 'amarrava'...
Que 2014 eu desate mais alguns nós!

Nenhum comentário:
Postar um comentário