.
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Toque de recolher
Às vezes não acredito que você exista em algum outro lugar que não na minha lembrança...
De certo lembro coisas que não foram exatamente como as vejo e sinto agora.
Assusta-me o passar do tempo e a minha passividade diante do que não posso mudar...
É estranho...
Eu, natureza bélica, hoje escolho minhas guerras...
Abandono o campo de batalha tingido pelo meu sangue e por aquilo que eu acreditava.
Hasteio bandeira branca, enterro mortos, sedo os feridos, mas não lhes dou esperança, porque eu sei... Vai doer pra sempre.
Os alto falantes estridentes perfuram meus ouvidos com o toque de recolher.
Antes surda.
Antes cega que a visão perturbadora da minha bandeira descida a meio pau.
Antes muda que o gemido e o soluço anunciando a minha rendição.
Há guerras feitas pra ganhar...
Há guerras feitas para perder...
Todas elas feitas para lutar.
E a morte... É só a inércia diante das causas e coisas que abandonamos...
Voltando a você...
Desenterro-lhe sempre para ver se você está mesmo morto e sempre tenho a impressão de lhe ver respirar...
Soldado raso.
Cova rasa.
Fim.
Queria que você não existisse além de mim.
Nota:
Texto original de 2009 - Sem modificações.
Fora isso... Em minha nota só vou dizer que a única rendição possível é o abatimento de todo o meu contingente de tentativas.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário